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Dólar cai mais de 2% com alívio no exterior após decisão do BC americano

Moedas 16.06.2022 05:00
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© Reuters Dólar cai mais de 2% com alívio no exterior após decisão do BC americano

O dólar à vista caiu mais de 2% e encerrou a sessão desta quarta-feira, 15, na casa de R$ 5,02, alinhado ao enfraquecimento da moeda americana no exterior, na esteira de declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre o ritmo de ajuste da política monetária americana. Como projetado por casas como JPMorgan (NYSE:JPM) e Barclays (LON:BARC) e refletido na curva de juros dos Estados Unidos, o BC americano, premido pela leitura forte da inflação ao consumidor em maio, acelerou o passo e elevou a taxa básica em 75 pontos-base, para a faixa entre 1,50% e 1,75%.

A postura mais forte contra a alta de preços foi temperada, contudo, pela fala de Powell. Apesar do discurso duro contra a inflação, ele classificou o aumento de 75 pontos como "incomumente alto" e abriu a possibilidade de que o BC americano opte por uma elevação de 50 pontos em julho. Foi a senha para que investidores reajustassem posições e voltassem aos ativos de risco, muito castigados nos últimos dias. As bolsas em Nova York se firmaram em alta, movimento seguido pelo Ibovespa, e as taxas dos Treasuries recuaram. No mercado de câmbio, as divisas emergentes aceleraram ganhos ante o dólar e o índice DXY - que mede o desempenho da moeda americana frente a seis pares fortes - virou para o lado negativo, passando a ser negociado na casa dos 104,700 pontos.

Por aqui, o dólar à vista, que já vinha em baixa, acentuou o ritmo de queda e registrou sucessivas mínimas nas últimas horas de negócios, descendo até R$ 5,0190 (-2,25%). No fim do pregão, a moeda era negociada a R$ 5,0260, em queda de 2,11%, interrompendo uma sequência de sete pregões de alta em que havia acumulado valorização de 7,44%. Apesar do alívio hoje, o dólar ainda apresenta avanço de 0,75% na semana. O mercado estará fechado amanhã em razão do feriado de Corpus Christi, mas retorna ao trabalhos na sexta-feira.

Além da decisão da esperada elevação em 75 pontos-base, o Fed revelou sua projeção para o nível da taxa de juros no fim do ano, pelo chamado gráfico de pontos. Treze dirigentes do BC americano veem taxa entre 3% e 3,5%, sendo oito na faixa de 3,25% e 3,50% e cinco entre 3% e 3,25%. Em entrevista, Powell disse que os dirigentes do Fed esperam que a política monetária se torne "modestamente restritiva" para controlar a inflação nos Estados Unidos, com taxa entre 3% e 3,5% no fim de 2022. Ele afirmou que a chamada taxa neutra está "baixa" atualmente, em algum ponto entre 2% e 3%.

O economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, ressalta que tanto o gráfico de pontos quanto as declarações de Powell acabaram levando à leitura de que o BC americano adotou uma postura "dovish" em relação à condução da política monetária, o que explica a reação positiva dos ativos de risco nesta tarde.

"Nos últimos dias, o mercado havia passado a precificar altas seguidas de 75 pontos e até a possibilidade de alta de 100 pontos nesta reunião. Além disso, o mercado precificava taxa de 3,8% no fim do ano, e os 'dots' vieram abaixo disso", diz Oliveira, chamando a atenção para o fato de que Powell ter dito que a taxa de juros não é o único instrumento para segurar a inflação. "Ele disse que o Fed não está olhando apenas para a taxa, mas para outros fatores, como aperto das condições financeiras e redução de balaço".

O economista-chefe do Fibra observa que o real sofreu muito nos últimos dias por uma combinação de fatores, como a perspectiva de uma alta mais intensa e forte dos juros americanos, o susto com o pacote do governo para conter os preços dos combustíveis e nova rodada de lockdowns em Xangai, na China. "As coisas se misturam. Mas a perspectiva era de que com um aperto forte e rápido do juro americano, haveria desaceleração dos preços das commodities. Se o aperto nos EUA não for tão forte, o real pode ter algum ganho", diz Oliveira, para quem as moedas emergentes devem sentir o efeito cumulativo do aperto da política monetária americana ao longo do tempo.

"O Fed ainda está atrás da curva. Ele vai dando as más notícias para o mercado aos poucos. Cumpre as expectativas com alta de 75 pontos-base e depois vem com um discurso mais leve. É um morde e assopra", afirma o head da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, ressaltando que não vê como o BC americano possa domar a inflação sem uma taxa real de juros positiva. "A inflação implícita de dois anos está em 4,11%. A taxa de juros (Fed Funds) tem de ir para 4,50%. Não consigo ver uma taxa terminal menor que isso".

Para Weigt, os mercados de risco podem experimentar uma calmaria nos próximos dias, mas deverão voltar a sofrer à medida que o mercado incorpore aos preços a ideia de que o aperto monetário terá de se estender. O real, diz o tesoureiro, continua a se beneficiar dos preços elevados das commodities, mas não deve ter fôlego para uma forte apreciação, dados os riscos fiscais e a proximidade da eleição presidencial. "Difícil a taxa de câmbio ficar novamente abaixo de R$ 4,60. Deve andar numa faixa bem ampla, entre R$ 4,70 e R$ 5,20", afirma o tesoureiro do Travelex.

Passada a decisão do Fed, investidores aguardam agora o veredicto do Copom hoje à noite. A expectativa majoritária é de elevação da taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, para 13,25% ao ano. Há dúvidas se o Banco Central vai encerrar o ciclo de aperto ou deixar a porta aberta para uma nova alta em agosto, dada a deterioração das expectativas de inflação e o aumento da percepção de risco fiscal com o pacote do governo para conter os preços dos combustíveis.

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Comentários (6)
Athanase Patsea
Athanase Patsea 16.06.2022 10:33
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Têm nêgo...louco pro dolar subir e forte, mas infelizmente o caminho é pra baixo para eles....EUA cest fini de como era antes....thinks change
Ronaldo Siqueira
Ronaldo Siqueira 16.06.2022 8:33
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O fumo é grande. Acompanhem o que tem ocorrido no Mercado de Títulos Soberanos da Zona do Euro. O ECB chegou a convocar reunião de emergência. Quem tem **, tem medo.
Paulo Junior
Paulo Junior 16.06.2022 7:22
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Não tem remédio fraco para doenças forres e persistentes. Mercado de renda variavel vai continuar a sofrer altos e baixos. EmPatamares e bandas mais baixas. Acabou o $$$ facil.
Rodrigo Tavares
Rodrigo Tavares 16.06.2022 6:25
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Recessao na porta, o que mais tem no linkedin sao americanos reclamando de layoffs principalmente em start ups. sabe se la o que acontecera com o dolar nos proximos meses.
Ricardo Morden
Ricardo Morden 16.06.2022 6:25
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Dólar? Vai subir, não?
Dr Felipe Ribeiro
Dr Felipe Ribeiro 16.06.2022 6:25
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Amigo, curva de juros de dois anos pagando mais do que 10’anos.Isso nao é recessão?
Dr Felipe Ribeiro
Dr Felipe Ribeiro 16.06.2022 6:25
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Ricardo Morden acompanha o DXY amigo.
Augusto Beltrao
Augusto Beltrao 16.06.2022 5:18
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Alívio nada. Apenas estava precificado ha dias e o mercado realizou ontem. Hoje vai desabar tudo. Me coloquem de analista que sei mais que esses mestres de obra pronta. A alta foi enorme, muito maior e a ata fala em mais altas significativas. Preparem-se, montanha russa agora vai para uma super descida da bolsa. Dolar vai subir forte.
Leonardo Araujo
Leonardo Araujo 16.06.2022 5:18
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Concordo contigo, mas neste artigo o economista Weigt falou o mesmo que vc. Inclusive indicou a aposta dele em taxa dos Bonds na casa dos 4%. Um raro cara que se compromete com a análise em dia de FED.
Leonardo Araujo
Leonardo Araujo 16.06.2022 5:18
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Aliás, se quiser operar esse trade, tem um ETF na NOMAD chamado Direxion Daily BEAR 20+ 3x. O importante é o Bear pq é o direcional dos juros subindo.É moleza abrir conta na NOMAD e ter acesso ao mercado americano de ETFs.
roberto gadioli
roberto gadioli 16.06.2022 5:09
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sexta-feira a sangria vai ser enorme. 💵 dólar em alta
 
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