Por Alberto Alerigi Jr.
SÃO PAULO (Reuters) - A Usiminas (SA:USIM5) convocou para 18 de abril assembleia de acionistas para deliberar sobre proposta de aumento de capital de 1 bilhão de reais, operação que pode evitar um pedido de recuperação judicial pela empresa no curto prazo e facilitar a liberação de recursos retidos em uma unidade de mineração.
A capitalização será feita via emissão de novas ações ordinárias e conta com a garantia do grupo japonês Nippon Steel, um dos controladores da Usiminas, de subscrição das sobras.
A aprovação da proposta pelos acionistas também permitirá que a Sumitomo Corporation dê aval para liberação de pelo menos 600 milhões de reais adicionais retidos no caixa da mineradora Musa, controlada também pela própria Usiminas, afirmaram três fontes com conhecimento direto do assunto.
Com isso, disse a fonte, a operação poderá viabilizar 1,6 bilhão de reais adicionais para a Usiminas, que tem vencimentos de 1,9 bilhão de reais este ano e caixa de cerca de 2 bilhões de reais.
"O total de 1,6 bilhão de reais equilibra o caixa da empresa, viabiliza o 'standstill' e também viabiliza a liberação do dinheiro da Musa", afirmou uma fonte próxima da companhia, referindo-se a acordo conseguido com bancos credores para suspensão de obrigações financeiras pelos próximos 120 dias.
Os bancos credores da Usiminas que aceitaram a suspensão das obrigações financeiras da empresa são JBIC, Banco do Brasil (SA:BBAS3), Bradesco (SA:BBDC4), Itaú Unibanco (SA:ITUB4), Santander Brasil (SA:SANB11), BNDES, Bank of Tokyo Mitsubishi UFJ, Mizuho Bank e Sumitomo Mitsui Banking Corporation.
O grupo Techint, que participa do controle da Usiminas por meio da Ternium, era contra a capitalização de 1 bilhão de reais, mas após considerações internas tenderá a não exercer direito de convocar uma assembleia para discussão de sua proposta de um aumento de capital de 500 milhões de reais, disse outra fonte com conhecimento do pensamento do grupo, após a reunião do Conselho da Usiminas mais cedo nesta sexta-feira.
Segundo essa fonte, a Techint tentará convencer os acionistas na assembleia a requererem recursos da Musa de modo a permitir uma capitalização menor que o valor de 1 bilhão de reais proposto ou que essa injeção de recursos seja aprovada em fases.
Além da capitalização e suspensão das obrigações de curtíssimo prazo, o plano de recuperação da Usiminas envolve alongamento de perfil de dívida e venda de ativos.
A Usiminas não tem resultado trimestral positivo desde o segundo trimestre de 2014, acumulando desde então prejuízo de cerca de 4 bilhões de reais.
O aumento de capital a ser votado em 18 de abril pelos acionistas envolve a emissão por subscrição privada de 200 milhões de ações ordinárias a 5 reais por papel. O preço foi proposto pelo conselheiro Mauro Cunha, eleito pelos minoritários da Usiminas.
A ação ordinária da Usiminas encerrou nesta sexta-feira cotada a 4,10 reais, em baixa de 6,8 por cento.
Atualmente, empresas da Nippon possuem 29,15 por cento das ações ordinárias da Usiminas, enquanto a Techint, via Ternium e Confab (SA:CNFB4), tem 31,89 por cento desta classe de papéis. A Previdência Usiminas detém outros 6,75 por cento, segundo dados da BM&FBovespa (SA:BVMF3) até o início deste mês.