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Ibovespa se estabiliza aos 119,6 mil pontos, cedendo 0,91% na semana

Publicado 14.06.2024, 15:01
© Reuters.  Ibovespa se estabiliza aos 119,6 mil pontos, cedendo 0,91% na semana
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O Ibovespa oscilou à tarde, mas ensaiou estabilização nesta sexta-feira ao encerrar em alta de 0,08%, aos 119.662,38 pontos. Ainda assim, acumulou perda pela quarta semana seguida, o que eleva a de junho a 1,99% - no ano, cede 10,82%. Hoje, a referência da B3 (BVMF:B3SA3) oscilou dos 118.828,08 aos 120.213,65 pontos, saindo de abertura aos 119.557,75 pontos. Na semana, o índice caiu 0,91%, após retração de 1,09%, 1,78% e de 3,00% nas anteriores, em intervalo negativo iniciado em 20 de maio. O giro desta sexta-feira ficou em R$ 17,9 bilhões.

A piora do Ibovespa à tarde acompanhou a mudança de sinal do dólar, que passou a subir frente ao real e encerrou em alta de 0,25%, a R$ 5,3821, bem como o aguçamento de perdas nas ações da Petrobras (BVMF:PETR4), após a confirmação de troca de três integrantes da diretoria. Mais cedo, tanto a relativa acomodação do câmbio como da curva de juros doméstica refletia, pelo segundo dia, algum alívio na percepção de risco fiscal, com o mercado ainda auscultando, bem de perto, todo sinal emitido por autoridades do governo. Em junho, o dólar sobe agora 2,5% - na semana, 1,08%.

Hoje, chegou a haver moderada melhora do humor logo após a reunião desta manhã entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os líderes dos maiores bancos privados do País, em São Paulo. O jornalista Matheus Piovesana, do Broadcast, reporta haver uma diferença de percepções entre os grandes bancos e outros setores do mundo financeiro quanto à posição do ministro Haddad no governo.

A derrota na MP do PIS/Cofins havia deixado, no mercado, a sensação de enfraquecimento de Haddad, mas os bancos consideram que o ministro continua determinado a fazer o ajuste das contas públicas - ou seja, Haddad permanece na direção certa, apesar dos acidentes de percurso. A reunião entre o ministro e alguns dos principais banqueiros do País estava marcada havia dez dias, destaca Piovesana. O encontro durou cerca de uma hora e meia, e teve exposição de cenários por todas as partes. Estiveram presentes representantes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), do Itaú (BVMF:ITUB4), Bradesco (BVMF:BBDC4), Santander Brasil (BVMF:SANB11) e BTG Pactual (BVMF:BPAC11).

A manifestação de apoio dos bancos à agenda de ajuste fiscal do ministro da Fazenda não é influenciada pela desconfiança do mercado nos últimos dias, de acordo com o presidente da entidade, Isaac Sidney. Segundo ele, Haddad precisará de apoio para partir para um ajuste de gastos, e o setor o apoiará nessa busca.

"Quando reafirmamos o apoio institucional ao ministro Haddad, o fazemos independentemente dos ruídos dos últimos dias", afirmou Sidney ao Broadcast. "Entendemos que, para enfrentar o grande desafio do ajuste fiscal pelo lado dos gastos públicos, o ministro Haddad precisará ter apoio do próprio governo, do Congresso e do empresariado - e o setor bancário apoia a agenda de equilíbrio fiscal da Fazenda", acrescentou.

"A fala do presidente da Febraban ajudou, mas não foi o suficiente para recolocar o Ibovespa aos 120 mil pontos - e o dólar também se manteve em alta à tarde, com correção, ainda em andamento, nos principais vencimentos na curva de juros hoje em viés de baixa, à exceção do DI para janeiro de 2025, em leve alta", diz Bruna Centeno, sócia da Blu3 Investimentos. "O compromisso de Haddad com o equilíbrio fiscal, apoiado pela Febraban, traz um ânimo, mas a recuperação do Ibovespa foi tolhida pelo desempenho negativo de Petrobras, em tarde de fato relevante com os nomes de três novos diretores na estatal entre os quais o financeiro."

De toda forma, o apoio da Febraban a Haddad contribuiu para a redução de ruídos que haviam dominado a semana, pressionando tanto a Bolsa como também o câmbio e a curva de juros doméstica. "Basicamente, as falas de ontem da Simone Tebet ministra do Planejamento e do Haddad já tinham dado uma acalmada no mercado. A parte da responsabilidade principalmente, ao se mostrar preocupação, faz com que o governo aponte que está atento ao fiscal. E, se controlar a inflação, não tem por que manter juros altos - o que traz efeito, também, para a curva futura", diz Daniel Teles, especialista da Valor Investimentos.

A fala desta semana do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não convenceu o mercado quanto ao compromisso do governo com a responsabilidade fiscal e o ajuste nas contas públicas, havia trazido ruído adicional, após o que foi percebido inicialmente como derrota e enfraquecimento de Haddad no episódio da devolução da MP do PIS/Cofins pelo Senado. A declaração de Lula, observa Marcelo Boragini, sócio e especialista em renda variável da Davos Investimentos, veio em momento no qual o governo já vinha sendo pressionado pelo mercado a reduzir gastos.

"Não considero a declaração tão negativa quanto o mercado precificou a princípio. O presidente afirmou que está trabalhando para equilibrar as contas sem comprometer os investimentos. Mas afetou de fato, com o mercado parecendo ter mandado o recado de que, se continuar dessa maneira, a situação ficará difícil", diz Boragini. Ele considera que o movimento de correção nos preços dos ativos, no ápice da aversão a risco doméstico nesta semana, foi "exagerado", refletindo também a percepção - "mais boato do que fato" - de que Haddad teria se enfraquecido e que, no limite, poderia deixar o cargo.

Contudo, o que chegou a ser visto por parte dos observadores como a possibilidade de "fogo amigo" deliberado para enfraquecer ministro que, uma vez fora do governo, poderia abrir caminho para que Lula 3 assumisse feições de Dilma 3 - um cenário extremo de pessimismo - começa a ser suavizado.

Mas outros aspectos têm pesado também, inclusive no apetite por carros-chefes da B3: portas de entrada e saída de grande liquidez para o investidor estrangeiro, ainda retraído no ano. Assim, as duas ações de Petrobras (ON -1,05%, PN -2,20%) refletiram - em sessão de leve ajuste de baixa nas cotações do petróleo - o anúncio de novos diretores, em substituição a três nomes da gestão anterior. O dia também foi de baixa para Vale (BVMF:VALE3) (ON -0,35%) e, ao fim, predominantemente positivo para os maiores bancos (Bradesco ON +0,89%, PN +1,02%; Santander Unit +0,30%), com Itaú (PN -0,10%) e Banco do Brasil (BVMF:BBAS3) (ON -0,38%) no lado contrário.

Na ponta do Ibovespa na sessão, destaque para Vamos (+5,94%), CVC (BVMF:CVCB3) (+4,15%), MRV (BVMF:MRVE3) (+3,63%) e Petz (BVMF:PETZ3) (+3,55%). No canto oposto, Embraer (BVMF:EMBR3) (-5,35%), CSN Mineração (BVMF:CMIN3) (-2,20%) e Gerdau (BVMF:GGBR4) (PN -1,90%), junto com a preferencial de Petrobras.

Com o quadro doméstico tendo assumido a boca de cena nesta semana, o mercado ficou mais cético quanto ao comportamento das ações no curtíssimo prazo, segundo o Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira. Entre os participantes, a previsão de estabilidade para o Ibovespa é majoritária, com 50,00% das respostas, ante 14,29% no levantamento precedente. A expectativa de alta, que na pesquisa anterior era de 71,43%, caiu para 16,67%, enquanto a de queda subiu de 14,29% para 33,33%.

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