Mercados cautelosos com manutenção de ameaças tarifárias de Trump

Publicado 25.02.2025, 11:52
© Reuters

Investing.com — Os mercados seguem em estado de alerta após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmar que as tarifas sobre o México e o Canadá continuam sob análise, com prazo para decisão definido para a próxima segunda-feira.

Apesar disso, os investidores ainda não precificaram integralmente os riscos, embora o mercado cambial possa reagir de forma mais intensa ao longo da semana.

“O dólar iniciou a semana em terreno mais firme e recebeu apoio adicional no final do pregão europeu, após Trump afirmar que as tarifas sobre o Canadá e o México estão avançando”, destacaram estrategistas do ING, liderados por Francesco Pesole, em relatório.

As tarifas de 25% foram inicialmente adiadas no início de fevereiro, postergando a decisão para 3 de março. O ING observa que Trump pode estar utilizando a ameaça como estratégia de negociação “até o último minuto, assim como em fevereiro”.

“Nossa premissa continua sendo que as tarifas de 25% sobre o México e o Canadá não se concretizarão, e os mercados também precificam apenas um risco moderado de isso acontecer”, acrescentaram os estrategistas.

O mercado de câmbio (FX), no entanto, pode reagir de forma mais sensível à medida que a semana avança. As paridades USD/CAD e USD/MXN apresentam riscos de alta no curto prazo, segundo o relatório.

A atenção agora se volta para os dados econômicos dos EUA, com o índice de confiança do consumidor do Conference Board, divulgado hoje, podendo influenciar o sentimento do mercado. Após um salto em novembro, impulsionado pelas eleições norte-americanas, o índice enfraqueceu nos meses seguintes, com projeção de queda de 104,1 para 102,5.

Caso o indicador se aproxime de 100, o mercado pode reagir de forma mais intensa. Além disso, os índices do Fed de Richmond fornecerão novas pistas sobre o ritmo econômico, após leituras abaixo do esperado nas regiões de Chicago e Dallas.

O ING ressalta que o desempenho do dólar dependerá das declarações de Trump ou de outros representantes do governo em relação às tarifas. “Na ausência de novas declarações — e considerando a tendência do mercado em não levar a sério as ameaças tarifárias —, acreditamos que o dólar pode recuar hoje, caso o dado de confiança do consumidor decepcione”, afirmaram Pesole e sua equipe.

Um relatório mais fraco reforçaria as preocupações com a desaceleração do consumo e poderia favorecer uma reprecificação mais branda das expectativas em relação ao Federal Reserve (Fed).

Mercado europeu monitora crescimento salarial

Na zona do euro, o foco está nos dados mais recentes do BCE sobre o crescimento salarial negociado. Apesar do aumento de 5,4% no terceiro trimestre em relação ao ano anterior, o avanço foi impulsionado principalmente por pagamentos extraordinários.

O BCE mantém sua atenção em tendências salariais de longo prazo, e, com os indicadores recentes apontando para uma desaceleração, é improvável que o banco central altere sua postura monetária. O ING vê um potencial limitado de valorização para o euro, com o EUR/USD podendo testar o nível de 1,050 no curto prazo, antes de recuar em direção a 1,030.

Posicionamento otimista perde força nos mercados de ações

Embora o índice S&P 500 tenha alcançado novas máximas, o posicionamento otimista vem perdendo força há oito semanas consecutivas, conforme análise do Citi.

O banco destacou em relatório que os ganhos iniciais da semana passada foram limitados pelas preocupações com as tarifas e pela piora das perspectivas macroeconômicas, afetando o sentimento dos investidores.

Nos EUA, o S&P 500, o Nasdaq e o Russell 2000 registraram aumento nas posições vendidas e redução nas posições compradas ao longo da semana, resultando em menor posicionamento líquido.

Apesar de o Nasdaq ainda apresentar um viés moderadamente otimista, o nível atual está distante dos patamares observados em dezembro. Segundo o Citi, embora a maioria das posições esteja em território negativo, as perdas nos índices S&P e Nasdaq são relativamente baixas, limitando os riscos de desalavancagem.

Na Europa, o posicionamento em ações também apresentou uma leve queda, com o impulso otimista perdendo força. No entanto, os lucros obtidos em posições compradas continuam elevados na maioria dos mercados europeus, exceto no Reino Unido, o que abre espaço para realização de lucros no curto prazo.

O Citi acredita que o resultado das eleições na Alemanha, em linha com as expectativas, pode conter a realização de lucros no curto prazo. Os investidores agora aguardam mais detalhes sobre o impacto dos resultados eleitorais no cenário econômico da Alemanha e da zona do euro.

Enquanto isso, “os fluxos comprados seguem fortes nos índices China A50 e Hang Seng, impulsionados pelos resultados positivos das empresas de tecnologia chinesas, que ajudaram a neutralizar o impacto das preocupações com as tarifas norte-americanas”, informou o Citi.

Apesar do otimismo, os analistas alertam que o posicionamento comprado atingiu o nível mais alto em três anos, elevando o risco de realização de lucros no curto prazo, especialmente no índice Hang Seng.

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