Taxas dos DIs curtos e médios tendem a subir após nova alta da Selic, dizem analistas

Publicado 18.06.2025, 20:13
Atualizado 18.06.2025, 20:15
© Reuters. Sede do Banco Central, em Brasílian11/06/2024nREUTERS/Adriano Machado

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - A decisão do Copom na noite desta quarta-feira, de elevar a Selic em 25 pontos-base e indicar a interrupção do ciclo de altas dos juros, ainda que ele possa ser retomado à frente, tende a impulsionar as taxas dos DIs de curto e médio prazo, avaliaram profissionais ouvidos pela Reuters, sendo que os maiores ajustes devem ocorrer nos vencimentos até janeiro de 2027.

Além de elevar a Selic para 15,00% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central antecipou a intenção de manter a taxa neste nível na reunião do fim de julho, para avaliar o cenário. Na prática, em seu comunicado o BC deixou a porta aberta para promover mais aumentos da Selic no futuro, se necessário.

No mercado de DIs (Depósitos Interfinanceiros), até antes da reunião a curva precificava chances maiores de elevação de 25 pontos-base da Selic -- como de fato ocorreu --, mas as apostas na manutenção da taxa não eram desprezíveis.

Em função disso, o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, acredita que as taxas dos DIs de curto e médio prazo tendem a subir na sexta-feira pós-feriado -- com elevação maior nos contratos até janeiro de 2027 e um pouco menor a partir do janeiro de 2028.

“Até janeiro 2027 pode subir 10 (pontos-base), 15 no máximo, com a alta do 2028 um pouco menor”, afirmou.

Esses ajustes na curva também levarão em consideração o fato de que, pelo comunicado, o BC indicou uma pausa no ciclo de altas da Selic, mas não descartou retomá-lo à frente, se o cenário exigir. Em tese, isso eleva as chances de o início de um novo ciclo -- desta vez de cortes da taxa -- ocorrer apenas em 2026, e não no fim de 2025 como muitas casas ainda projetam.

“A parte mais curta da curva deve sentir um pouco, com o janeiro 2026 e o janeiro 2027 (com taxas) em alta, porque há ali (precificado) corte já na virada do ano. Isso (comunicado do Copom) empurra os cortes um pouco mais para frente”, avaliou o gestor de Renda Fixa Ativa da Inter Asset, Ian Lima.

Segundo ele, considerando a estrutura da curva, nos contratos mais longos o efeito do Copom pode ser de uma queda das taxas, ainda que menor, ou de uma alta menos pronunciada. Isso porque os DIs longos dependem mais diretamente do cenário externo, do movimento dos Treasuries e, internamente, das questões que envolvem o equilíbrio fiscal do governo Lula.

Para o diretor de macroeconomia do ASA e ex-diretor de Política Econômica do BC, Fábio Kanczuk, a parte curta da curva será de fato calibrada para cima, já que boa parte do mercado previa manutenção da Selic.

Mas ele acrescentou que, como o mercado não acredita no “período bem prolongado” de juros no patamar de 15,00%, a parte longa da curva deve cair. “Os juros de 1 ou 2 anos à frente não é esse 15%, é menos. As pessoas já estão precificando queda, vão precificar mais queda ainda”, opinou.

CÂMBIO

A elevação da Selic para 15,00% também tende a impactar o mercado de câmbio, na visão de alguns analistas, ainda mais considerando que durante a tarde desta quarta-feira o Federal Reserve sinalizou a possibilidade de um ou dois cortes de 25 pontos-base este ano em sua taxa de juros, hoje na faixa de 4,25% a 4,50%.

“Se o Fed cortar para 4% no segundo semestre, e o Copom mantiver a Selic em 15%, estaremos falando de um diferencial de 11 pontos percentuais -- um diferencial brutal”, escreveu Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master. “Isso deve fortalecer ainda mais o real, que tende a se apreciar nos próximos dias.”

Na visão de Serrano, do Bmg, a trajetória de queda do dólar ante o real está em curso e a decisão do Copom, em si, contribui para isso. “No geral, vemos o real com potencial para continuar se valorizando”, pontuou.

 

(Reportagem adicional de Bernardo Caram, em Brasília)

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