Temporada de férias
Joaquim Levy continua brigando com congressistas, subindo num ringue que não deveria ser seu.
O líder da bancada do PSD, Rogério Rosso, sugere inclusive que o ministro tire férias, sendo substituído por um economista "desenvolvimentista”.
Mas quem deve mesmo tirar férias é Tombini, credenciado a novos desenvolvimentos.
Voltam as notícias de que o presidente do BC será substituído por um nome do mercado.
Tombini perdeu o moral, e representa um enorme custo para a política monetária.
Nem precisa procurar muito este tal nome do mercado. Volpon já está dentro de casa.
Crowding-in
Outro que deve tirar férias é Mercadante. Kátia Abreu?
A mera especulação de troca na Casa Civil basta para animar a Bolsa brasileira, que continua virando a mão.
Com a debandada dos protagonistas do Terceiro Mandato, assistimos a um inesperado crowding-in político.
Ou seja, figuras representativas do setor privado passam a se envolver diretamente na transição do Governo.
Gostamos mais desta iniciativa privada que toma as rédeas do que daquela que mendigava favorecimentos públicos, em troca de pixulecos.
Se o Estado invade a economia, a Economia também pode invadir o estado.
Falando em invasão de torcidas, caminhamos para que setembro seja o mês recorde de novos leitores da Empiricus.
Boas-vindas aos recém-chegados, e um convite especial para que conheçam nosso Clube Empiricus.
Rala-e-rola
Sem tempo para férias, o presidente da Vale trabalha ainda mais duro depois de se licenciar do board de Petro.
Nota-se um Murilo mais leve e mais corado.
Ainda não dá para enxergar direito as consequências em 2016, mas seu call de exportações faz bastante sentido.
Certamente, será um dos fatores contribuindo para que escapemos desta crise.
"A palavra é ralar, correr atrás da exportação, suar a camisa.”
Espero que EUA, Europa e China corram atrás da importação também.
Menor dos males
Roberto Setubal aciona um sentido de urgência para não perdermos o investment grade por outras agências.
Temos que dar crédito: banqueiro a favor de CPMF é coisa rara. Mostra o limiar da situação.
"Infelizmente, acredito que a conta não fecha sem a CPMF, que deve ser temporária e declinante ao longo de quatro anos”.
Setubal calcula que o aumento de impostos incomoda menos do que o ônus gerado pelo contágio do grau especulativo.
E ele está certo nisso.
O problema (político) é de como aplicar um mal tangível para evitar um mal por ora intangível.
Ninguém aguenta menos
Lembra das reclamações de Luiza Trajano ao final de agosto?
“Ninguém aguenta mais” - ela disse.
E quem aguenta menos?
Vendas ao varejo encolheram -1% em julho, marcando a sexta queda consecutiva.
É a sequência mais longa de resultados negativos desde 2001.
IBGE destaca a performance preocupante de móveis & eletrodomésticos desde o início do ano, que são itens bastante sensíveis ao crédito.
Reagindo à crise, Magazine Luiza (SA:MGLU3) passou a trabalhar com o conceito de que todos os funcionários são vendedores.
Só falta definir agora quem serão os compradores.