Este artigo foi escrito exclusivamente para o Investing.com
O S&P 500 subiu bastante desde as mínimas de março, mas estão surgindo sinais de que a recente corrida de alta pode estar em sério risco. Ocorreram algumas divergências nas últimas semanas, sugerindo que o recente rali é resultado da valorização de apenas um conjunto restrito de ações. Se realmente esse for o caso, a divulgação de resultados corporativos da semana que vem poderá ser vital.
Embora o fundo com cotas negociadas em bolsa (ETF) do S&P 500 (SPY (NYSE:SPY)) tenha subido, o ETF de small caps Russell 2000 (NYSE:IWM) ficou para trás, assim como o dos Mercados Emergentes (NYSE:EEM) e o do resto do mundo, excluindo os EUA, All-World EX-US (NASDAQ:ACWX).
A expressiva alta do S&P 500 parece ter resultado mais da valorização de empresas como Microsoft (NASDAQ:MSFT), Amazon.com (NASDAQ:AMZN), Apple (NASDAQ:AAPL) e Alphabet (NASDAQ:GOOGL) do que do restante do índice. Essas quatro empresas têm um peso de quase 18% no ETF S&P 500 SPDR.
Excelente desempenho
Desde 23 de março, o ETF do S&P 500 subiu mais de 25%, enquanto o do Russell 2000 se valorizou 20,5%, o dos Mercados emergentes subiu 16,3% e o All-World EX US avançou 17,9%. Os ganhos do S&P 500 parecem destoar dos outros grupos, o que sugere que o recente rali está favorecendo apenas as maiores empresas no mercado de ações.
Liderando o ataque
O desempenho da Amazon é de longe o mais influente desde que a ação atingiu a mínima de 16 de março, subindo mais de 41,9%, enquanto a Microsoft saltou 26,6% e o S&P 500 se valorizou 16,4%. Esses dois papéis foram essenciais para ajudar na recuperação do S&P 500 e, se mostrarem alguma fraqueza, poderão pesar bastante sobre o mercado geral.
A Apple e a Alphabet subiram 14% e 17,9% respectivamente durante o período, sem necessariamente contribuir para a alta do mercado mais amplo, mas certamente ajudando a dar suporte ao rali. O forte desempenho dessas quatro ações e seus enormes pesos no índice ajudaram a impulsionar as ações de forma desproporcional em outros segmentos do mercado, ao que tudo indica.
O mais importante é que essas quatro empresas divulgarão seus resultados trimestrais na semana de 27 de abril. A Alphabet fará seu balanço no dia 28 de abril; a Microsoft, em 29 de abril; enquanto a Apple e a Amazon o farão em 30 de abril. Isso significa que a semana que vem pode ser crucial para o mercado, devendo estabelecer o tom do que pode acontecer nas próximas semanas.
É possível que o mercado esteja em risco caso qualquer uma dessas quatro empresas apresente um desempenho abaixo das expectativas ou faça uma projeção pessimista da atual situação dos seus negócios. Isso pode fazer com que o S&P 500 devolva grande parte da sua forte valorização recente. Além disso, por causa desse bom desempenho nas últimas semanas, pode ser que haja uma correção mais acentuada.
Da mesma forma, resultados positivos e um cenário econômico mais favorável podem ajudar a impulsionar ainda mais os preços. Isso pode fazer com que a lacuna entre o S&P 500 e os outros segmentos se amplie ainda mais.
A incerteza e os distúrbios causados pela pandemia de coronavírus fazem com que o atual cenário esteja repleto dos mais variados riscos. Essas quatro empresas são as maiores por capitalização de mercado nos EUA e têm meios para sobreviver ao atual ciclo de baixa econômica. Sem dúvida, esse é um dos principais fatores que estão fazendo com que os investidores corram para essas quatro ações.
Mas também significa que qualquer fator que contrarie essa crença pode provocar a queda dessas ações e do mercado de forma muito rápida.
Aviso de isenção: Michael Kramer e os clientes da Mott Capital detêm ações da Microsoft, Apple e Alphabet.