- A análise fundamentalista sugere que a ação da Amazon está ridiculamente cara, mas os fundamentos não contam toda a história.
- Vale a pena levar em consideração três métricas-chave.
- Em poucas palavras, estamos falando de uma das melhores empresas do mundo. Faz sentido que os investidores continuem pagando mais caro para tê-la na carteira.
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À primeira vista, a Amazon.com (NASDAQ:AMZN) (BVMF:AMZO34) parece estar ridiculamente cara. Ao preço atual de US$ 135,10, a varejista online de Seattle possui uma capitalização de mercado totalmente diluída de cerca de US$ 1,44 trilhão, um valuation difícil de sustentar com base nas métricas fundamentalistas.
O fluxo de caixa livre também não ajuda. Nos últimos quatro trimestres, ele ficou negativo. O lucro líquido é positivo, mas a US$ 1,13 por ação, representa um múltiplo de preço/lucro bem acima de 100x.
Além disso, a contabilidade de marcação a mercado do investimento da companhia na fabricante de picapes elétricas Rivian Automotive (NASDAQ:RIVN) prejudicou os resultados da Amazon nos últimos três trimestres. Ainda assim, o resultado final foi basicamente zero.
Até mesmo a receita não parece ser tão espetacular assim. O múltiplo de 2,5x o preço/receita não é algo incrivelmente atraente, dado que a maior parte do faturamento vem de vendas de produtos de margem reduzida. Ao mesmo tempo, o crescimento do faturamento da companhia sofreu uma drástica desaceleração: a receita aumentou apenas 7% ano a ano no primeiro e segundo trimestres.
Observando de longe, a AMZN parece ser uma empresa a se evitar. Ainda mais após o rali de dois dígitos desde a divulgação do seu balanço na semana passada, ou seja, o papel parece ser um “short” fácil.
Mas estamos falando de um caso em que as métricas fundamentalistas amplas não contam toda a história, ou pelo menos não o suficiente. É necessário fazer uma análise mais de perto para entender o real valor aqui e por que a ação da AMZN pode muito bem estar barata, e não cara.
Métricas dão sustentação à tese de alta
Novamente, nada leva a crer que os números concretos sejam atraentes. Mas três dados mais específicos ressaltam o valor da empresa.
Primeiro, a Amazon Web Services (AWS), unidade de serviços na nuvem da companhia, gerou um impressionante lucro operacional de US$ 22,4 bilhões nos últimos quatro trimestres. (Vale a pena notar que o número inclui a parcela de custos corporativos da unidade, o que não é o caso de muitas empresas que divulgam seu lucro por segmento).
Aplicando uma alíquota de imposto de 21% ao número, o lucro líquido da AWS seria de cerca de US$ 17,7 bilhões. É preciso lembrar que o crescimento do lucro foi de 28% ano a ano no 2º tri, o que representa uma desaceleração em relação aos trimestres anteriores.
Há discussões em relação a quanto valeria a AWS caso ela fosse uma empresa independente. Seja qual for o valor exato, não é difícil perceber que a AWS respalda pelo menos metade do valuation da companhia. Um índice de preço/lucro de 40x para um crescimento de 28% não é desarrazoado, mesmo em um mercado menos agressivo do que há seis meses.
É possível afirmar que a AWS é uma das melhores empresas do mundo, ponto final. Lembre-se de que a unidade possui uma participação de mercado dominante, mesmo competindo contra Alphabet (NASDAQ:GOOGL) (BVMF:GOGL34) e Microsoft (NASDAQ:MSFT) (BVMF:MSFT34), duas das melhores operações do segmento.
A segunda métrica tem a ver com a unidade de negócios publicitários da Amazon: no segundo trimestre, a Amazon gerou US$ 8,7 bilhões em receita publicitária. Nos últimos 12 meses, as vendas de anúncios totalizaram US$ 34 bilhões. Para contextualizar esse número, ele equivale a quase o triplo da receita conjunta de Twitter (NYSE:TWTR) (BVMF:TWTR34), Snap (NYSE:SNAP) (BVMF:S1NA34) e Pinterest (NYSE:PINS).
A Amazon é uma gigante da publicidade. E embora as vendas de anúncios online aparentemente tenham estagnado, essa fonte de receita da companhia teve um crescimento saudável de 18% ano a ano no 2º tri.
Por fim, é preciso mencionar ainda a receita proveniente de assinaturas. Esse faturamento é gerado principalmente pelo serviço Prime, totalizando US$ 33 bilhões nos últimos quatro trimestres.
Estamos falando, portanto, de três negócios enormes, e nem começamos a discutir o e-commerce ainda.
A ação da Amazon está realmente barata?
Essas três métricas levaram alguns investidores a defender, principalmente após a liquidação da AMZN na primeira metade do ano, que a empresa de varejo estava saindo “de graça”. Com um múltiplo de 50x os resultados em AWS e 10x a receita nos negócios de publicidade e Prime, o valor patrimonial da companhia é de cerca de US$ 1,5 trilhão.
Pode ser que essa análise seja muito simplista, para ser honesto. As receitas tanto do Prime quanto de publicidade estão incluídas nos segmentos da Amazon na América do Norte e Internacional. Mesmo com essas receitas, nenhum dos segmentos apresentou lucro nos últimos quatro trimestres. A concorrência nos negócios de infraestrutura de nuvem aumenta o risco de redução das margens de lucro e do valor de mercado da AWS.
Mesmo assim, o cenário mais amplo faz algum sentido. As partes individuais das unidades da Amazon obviamente têm um valor real. O que ofusca esse valor, em bases consolidadas, é que a empresa continua investindo pesado nos negócios, seja em conteúdo para o Prime Video, o serviço de entrega em um dia ou a enorme (e onerosa) construção de uma unidade de abastecimento de nível internacional, o que faz com que a Amazon não alcance seu lucro potencial.
A visão de longo prazo
E isso é positivo. A ação da AMZN é uma das maiores histórias de sucesso do mercado, porque reinvestiu com sucesso seu lucro na própria empresa. Isso, por sua vez, levou à criação da AWS e ao serviço Prime com mais de 200 milhões de assinantes, além de um e-commerce extremamente valioso, obviamente.
O crescimento da receita da Amazon com comércio eletrônico, de fato, teve uma desaceleração. Mas é preciso colocar na conta a difícil base comparativa. Cabe ressaltar ainda que todas as empresas de varejo americanas estão registrando uma grande desaceleração. De fato, duas das melhores varejistas omnicanal dos EUA, Walmart (NYSE:WMT) e Target (NYSE:TGT), acabaram de divulgar resultados desastrosos.
De fora, é impossível definir precisamente quanto a Amazon está investindo e qual é o lucro que poderia auferir se ela se preocupasse apenas com os resultados no curto prazo. Mas temos uma boa quantidade de dados para sugerir que esse número seria grande. Ela possui o melhor serviço na nuvem, um dos melhores negócios por assinatura e, se os resultados do 2º tri servirem de indicação, talvez o melhor e-commerce.
É por isso que os investidores estão pagando tanto. E é por isso que a Amazon está avaliada em US$ 1,4 trilhão. Os investidores não estão apenas comprando os fundamentos. Estão comprando uma empresa. E a Amazon continua sendo uma das melhores do mundo.
Aviso: No momento em que escrevia este artigo, Vince Martin não tinha posições em quaisquer dos ativos mencionados.
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