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ESG: Finanças e Risco Climático, Por Que Devemos Nos Preocupar?

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ESG: Finanças e Risco Climático, Por Que Devemos Nos Preocupar?
Por Claudio de Moraes   |  15.07.2022 12:29
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Atualmente há um consenso entre os reguladores globais de que o aquecimento global é um problema real. Além disso, é esperado uma série de consequências que podem causar fortes mudanças nas alocações de ativos e na sua precificação. Muito tem se discutido sobre que tipo de riscos os eventos relacionados a mudança climática poderiam gerar no sistema financeiro, principalmente no que tange à estabilidade financeira.

No entanto, este é um debate complexo que parece longe de terminar. Por este motivo venho estudando o tema e nesse artigo, que escrevi junto com Leonardo Cunha (mestrando da Coppead/UFRJ), levantamos algumas questões sobre o tema e trouxemos alguns autores relevantes para o debate.

LEIA MAIS: Finanças Climáticas, Risco e Retorno

Um dos maiores economistas da atualidade, John H. Cochrane, por exemplo, argumenta que não há evidências suficientes de que o aquecimento global produza riscos para a estabilidade financeira, apesar desta falta de elementos, medidas já estão sendo tomadas. Para Cochrane, a regulação financeira voltada para a mitigação do risco climático pode estar sendo usada para aprovar medidas ineficientes, com grande impacto sociais impopulares ou até mesmo politicamente oportunistas.

O fato é que há um relativo consenso de que o aquecimento global vem sendo acelerado pela emissão humana de CO2. E como algumas atividades econômicas tem maior responsabilidade na produção CO2. que outras é preciso entender como suas atividades são financiadas pelo setor bancário.

Neste sentido, Reghezza et al. (2021) argumenta em seu estudo que iniciativas como o Acordo de Paris levaram os bancos europeus em direção a investimentos mais limpos. Com isso, estaríamos vivendo uma transição, de uma economia ‘suja’ para uma economia ‘verde’.

A realidade é que no mundo todo os governos e os órgãos reguladores permanecem em constante debate, assinam acordos, discutem e estabelecem metas de redução de emissões e impõem novas regras e resoluções em suas jurisdições. Estes debates e acordos influenciam o comportamento das instituições financeiras e demais investidores acerca de como alocar seus recursos, produzindo uma grande transformação nas finanças.

A preferência por ativos mais verdes, causada tanto pela ação de reguladores quanto pela maior conscientização sobre problemas climáticos, pode trazer sérios riscos. Ao financiar empresas e projetos, bancos realizam um escrutínio do tomador de crédito, de maneira a garantir o pagamento do empréstimo. Os modelos de valoração e risco de crédito empregados para empresas de setores tradicionais, como por exemplo, óleo e gás ou mineração, são, no geral, bastante testados e consolidados, o que permite prever a probabilidade de inadimplência com acurácia. Vale salientar que o controle do nível de inadimplência é de suma importância para os bancos estimarem corretamente suas provisões e se manterem solventes, isto é, financeiramente estáveis.

Porém, num cenário de transição para investimentos mais verdes, esta solidez e previsibilidade é muito reduzida. Negócios novos e projetos inovadores são necessários para reduzirmos as emissões de gás carbônico, mas também são mais arriscados e difíceis de valorar com tanta precisão.

Autores como Claudio Borio, Stijn Claessens e Nikola Tarashev apontam para a velocidade com a qual a transição ocorre como um dos maiores riscos. Caso aconteça muito rápido, os ativos ‘sujos’ irão perder muito valor antes do esperado, causando um derretimento de diversos investimentos e um aumento geral da inadimplência. Por outro lado, se a transição for muito lenta, a euforia por investimentos em ativos ‘verdes’ poderia baixar, caracterizando o estouro de uma bolha especulativa e a queda brusca do valor destes ativos. Da mesma forma, o derretimento destes negócios viria a causar um aumento geral na inadimplência.

Claramente, este debate é extenso e se encontra longe do desfecho. Buscando agregar à discussão, em nossa recente pesquisa (minha com o Leonardo Cunha) analisamos o comportamento das carteiras de crédito dos bancos brasileiros. Os resultados até o momento indicam que o crescimento dos portfólios, isto é, o desprendimento de novos empréstimos, está associado a uma preferência dos bancos por investimentos em setores mais verdes. Ou seja, o setor financeiro brasileiro já estaria desempenhando um papel na transição para crédito verde e as empresas mais verdes estão tendo melhor acesso a financiamento de seus projetos. Que consequências isso pode gerar? No meu próximo artigo tentarei explicar melhor esses achados.

Claudio de Moraes – Professor e Pesquisador do Coppead, especialista em Banking, com artigos publicados em diversos periódicos internacionais. Atua no Banco Central do Brasil na área de estabilidade financeira, com experiência em regulação e supervisão bancária.

Referências

Reghezza, A., Altunbas, Y., Marques-Ibanez, D., d’Acri, C. R., & Spaggiari, M. (2021). Do banks fuel climate change? European Central Bank Working Paper Series No. 2550. Disponível em: https://www.ecb.europa.eu/pub/pdf/scpwps/ecb.wp2550~24c25d5791.en.pdf

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