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A liquidação do Conglomerado Master, decretada nessa semana, reacendeu um debate essencial: renda fixa de banco não é sinônimo de risco zero, e o detalhe do emissor faz toda a diferença na proteção do patrimônio. Em paralelo, a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) tem limites por conglomerado e um teto global em quatro anos, o que exige disciplina de alocação para evitar perdas em cenários de estresse.
O que aconteceu
O Banco Central decretou liquidação extrajudicial de várias empresas do Conglomerado Master em 18/11/2025 e aplicou regime de administração especial temporária (RAET) ao Banco Master Múltiplo. Em paralelo, a Operação Compliance Zero da Polícia Federal cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em diversas unidades da federação, com executivos detidos e apurações sobre práticas fraudulentas envolvendo títulos e captações do grupo.
A dimensão do evento ganhou relevância pública com reportagens indicando milhões de clientes potencialmente afetados, reforçando a necessidade de orientação objetiva ao investidor de varejo.
O que é liquidação e o que muda
A liquidação extrajudicial encerra as operações da instituição atingida, congela passivos e aciona um processo legal de apuração e pagamento conforme a ordem de credores, distinto de intervenções destinadas a recuperar a instituição. Para investidores em depósitos e CDBs elegíveis, a questão prática imediata é verificar cobertura do FGC, valores por conglomerado e o fluxo de ressarcimento quando aplicável.
FGC na prática (limites e prazos)
A cobertura do FGC é de até R$ 250 mil por CPF por conglomerado financeiro, respeitando um teto global de R$ 1 milhão a cada período de quatro anos para todos os eventos amparados nesse intervalo. Valores que excedem o limite elegível entram no processo de liquidação, sem garantia, com horizonte incerto e dependente da recuperação de ativos da massa liquidanda.
Os pagamentos do FGC não têm prazo legal fixo; em média, o primeiro desembolso começa cerca de 30 dias após o liquidante enviar a base de credores, e, uma vez habilitado no app, a liberação costuma ocorrer em até 48 horas úteis após a assinatura do termo de solicitação. O processo não é automático e exige cadastro do credor no aplicativo do FGC
Risco de concentração e “taxas altas demais”
Prêmios muito acima da média de mercado em CDBs de um mesmo emissor costumam sinalizar maior risco de crédito e / ou liquidez, o que exige cautela para não confundir o “produto” com o risco do emissor. A disciplina de diversificar emissores e respeitar limites por conglomerado é tão importante quanto escolher o prazo e a taxa, pois o FGC não é um substituto para gestão de risco de crédito.
Suitability, transparência e conflitos de interesse
As regras de suitability e de distribuição determinam que o perfil do investidor e a adequação do produto sejam observados, com deveres de informação e registro do processo decisório. A agenda regulatória tem reforçado boas práticas de transparência e governança, inclusive quanto a potenciais conflitos e incentivos na distribuição, o que o investidor deve exigir explicitamente de seu intermediário.Estima que, dos R$ 41 bilhões em CDBs do Banco Master elegíveis para o pagamento da garantia dos depósitos que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou na tarde desta terça-feira, aproximadamente R$ 36 bilhões foram distribuídos pelas três maiores plataformas digitais de investimentos (XP, BTG e Nubank), segundo fontes do mercado.
Como agir se estiver exposto ao Master
- Checar se o título é elegível ao FGC e somar posições por conglomerado para confirmar cobertura dentro dos limites, preparando documentos de titularidade e aplicações.
- Acompanhar os comunicados oficiais e canais de ressarcimento indicados nas orientações ao público, observando prazos e etapas do processo.
- Para valores não cobertos, entender que passam à massa de liquidação e que recuperações futuras dependem da ordem legal de credores e da realização de ativos.
Checklist de boas práticas pós-evento
- Exigir do distribuidor documentação de suitability, políticas de conflito e clara divulgação de remuneração e incentivos na recomendação e alocação.
- Diversificar entre múltiplos emissores e conglomerados, evitando ultrapassar R$ 250 mil por emissor/CPF e preservando folga no teto global de R$ 1 milhão em quatro anos.
- Escalonar ou reduzir vencimentos para reduzir risco de liquidez e evitar concentração em prazos longos de uma única instituição.
O que observar daqui em diante
Eventos de liquidação servem como teste de estresse real do arcabouço de garantias e de educação do investidor, reforçando que governança e prudência superam a busca por taxa isolada. Ao alinhar alocação com perfil, limites do FGC e transparência de incentivos, o investidor transforma um episódio adverso em aprendizado duradouro de gestão de risco.
