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O que não tem faltado no mundo e também por aqui é a tempestade perfeita.
No exterior, a China já anunciou processos de lockdown em algumas regiões devido ao aumento do contágio pela variante Delta da Covid-19. Situação análoga em termos de contágio e aumento de internações ocorrem nos EUA, juntamente à relutância das pessoas com a vacinação. Essa postura contra vacinas se reflete em outros países da Europa, e tudo isso gera dificuldade para conseguir a tal da imunidade de rebanho.
Descrença também contra a efetividade vacinal e muitos movimentos contra a vacinação de adolescentes entre 12 e 17 anos. Aqui, temos movimento semelhante contra a terceira dose e a vacinação de adolescentes, estimulada pelo presidente, deixando de saia justa o ministro Queiroga, em live da semana passada, e com movimento de técnicos do setor e da própria ANS querendo que o ministro se retrate e fale qual é a postura oficial. Mas, aqui, a variante Delta ainda não se fez muito presente, e o quadro está mais suave do que em outros países.
De qualquer forma, esse quadro tem como efeito principal o de retardar a recuperação da economia global e, como secundário, o de postergar a redução de estímulos monetários e fiscais. Mas, certamente, o mundo padece.
Outra tempestade está localizada na China, com o aumento da regulação em setores da atividade, como tecnologia e a interferência do governo na formação de preços das commodities. Basta ver que o minério de ferro, nos últimos seis dias, observou queda da ordem de 30%, com a tonelada atingindo cerca de US$ 93, depois de ter batido mais de US$ 180 por tonelada. Isso se espalha por outros minerais e até por commodities agrícolas, papel e celulose, embutindo reflexo sobre as exportações de países emergentes.
Começa a vigorar no mundo desenvolvido a sensação de que a expansão inflacionária atual pode não ser tão transitória assim, por conta do desabastecimento de insumos, aumento de custos de energia, dificuldade de obtenção de mão de obra, nível de endividamento etc. Em algum momento, isso será repassado ao consumidor final.
Aqui, somos afetados por tudo isso, somado aos nossos problemas internos, que não são poucos. Somos um país endividado acima da média, com inflação bem ascendente, quadro fiscal frágil, sem reformas consistentes, com inflação menos transitória ainda na comparação com outros países, dependentes da agricultura (que falha neste ano crucial) e com outras matérias-primas também afetadas. Temos a tradição de gastar muito e mal, e de descansar quando a situação melhora um pouco, como agora, ainda que por efeito da inflação mais alta.
Os ruídos políticos são intensos, os três poderes não se entendem minimamente para fazer andar reformas e ajustes na economia e o presidente se preocupa com assuntos periféricos, como armas, fake news, aumento de policiais e outros, além de abordar temas cruciais, como privatizações, concessões, equilíbrio fiscal e estímulos à produtividade. Além dessas incertezas, ainda temos a crise hídrica e a avaliação do TCU de que não há um plano formal para o agravamento, declarando que, até aqui, as medidas foram insuficientes.
Na área externa, somos tidos como despreocupados com o clima e o meio ambiente, e é meio constrangedor ver o presidente e sua comitiva comendo pizza no meio da rua em Nova York, já que eles não estão vacinados e, por isso, estão impedidos de frequentar restaurantes. Cadê o physique du rôle que o cargo de presidente impõe?
Resumindo, o mundo ainda está atravessando a tempestade perfeita, enquanto nós permanecemos no meio dela, tendo uma eleição majoritária lá na frente, que por si só já embute outros transtornos e políticas casuísticas e popularescas.
Uma reviravolta de postura agora parece algo difícil.
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