Por Geoffrey Smith
Investing.com -- Os preços do petróleo se viraram para baixo na quinta-feira, mas permanecem em níveis historicamente elevados, já que a rodada de cúpulas em Bruxelas não conseguiu gerar nenhum sinal imediato de reforço das sanções do Ocidente sobre a Rússia.
Os analistas acreditam que até 4 milhões de barris de petróleo por dia em capacidade de produção podem ficar travados, sem uma rota prática para o mercado, se a União Europeia se juntar aos EUA e ao Reino Unido na proibição da compra de petróleo russo. No entanto, tal medida parece improvável, dada a resistência da Alemanha e de outros países, que temem lançar suas economias numa recessão. Os líderes da UE deverão discutir novas medidas numa reunião posterior, que também contará com a participação do Presidente dos EUA, Joe Biden. A OPEP, cujos membros no geral têm evitado criticar a invasão da Rússia, advertiu numa declaração que estava preocupada com as consequências de um boicote mais rigoroso ao petróleo russo.
Às 15h36 (horário de Brasília), os futuros do petróleo WTI, negociado em Nova York, e referência de preços nos EUA, caíam 2,52%, a US$ 112 por barril, enquanto os futuros do Brent, cotado em Londres e referência mundial de preços, apresentavam queda de 2,57%, a US$ 118,41 por barril. Os dois ainda ainda apresentam alta na a semana, sobretudo em função do fechamento por parte da Rússia da ligação Tengiz-Novorossiysk do Consórcio do Oleoduto do Cáspio, que transporta petróleo do Cazaquistão até Mar Negro. As autoridades russas afirmam que os danos causados pelas tempestades obrigaram a paralisação do terminal de exportação da CPC em Novorossiysk.
Os preços têm se sustentado esta semana por sinais repetidos de que os governos do Ocidente estão dispostos a reduzir os impostos sobre combustíveis para manter a demanda, num momento em que os preços na bomba atingiram níveis máximos históricos (embora após o ajuste da inflação, os preços no geral ainda se encontram bem abaixo do seu pico, pouco antes da Grande Crise Financeira de 14 anos atrás). A Alemanha, a maior economia da Europa, tornou-se a última a fazer um ajuste nesse sentido na quinta-feira, anunciando um corte de € 0,30 por litro (o equivalente a US$ 1,50 por galão) no imposto cobrado sobre a gasolina, e € 0,14 por litro no imposto sobre o diesel. Os cortes devem permanecer em vigor por três meses. Além disso, Berlim também anunciou incentivos temporários para a transição para os transportes públicos e um crédito fiscal anual de € 300 para suavizar o impacto da alta das contas de energia.
As medidas da Alemanha seguem outras semelhantes da França, Itália, Reino Unido e outros países. Nos EUA, estados como Maryland e Geórgia também suspenderam sua tributação sobre as vendas de gasolina, enquanto outras câmaras estaduais estão avaliando passos semelhantes.
O impacto global dessas reduções fiscais é para sustentar a demanda, que apresentava rápida recuperação depois que as restrições econômicas causadas pela pandemia foram relaxadas em toda a Europa e na América do Norte. Os dados de inventários dos EUA mostraram uma queda de quase 3 milhões de barris nos estoques de gasolina na semana passada, um sinal de que a invasão da Ucrânia teve poucos efeitos sobre a confiança dos e empresários no país.
Um dos fatores que mantêm o mercado tão apertado (os estoques comerciais na OCDE estavam no menor patamar em oito anos no final de fevereiro) é que os produtores norte-americanos até agora se recusam a aumentar a produção, preferindo usar o lucro inesperado da alta dos preços para encerrar zerar dívidas e estoques. A última pesquisa empresarial do Federal Reserve de Dallas revelou que mais de 40% dos executivos locais do setor petrolífero consideravam que era necessário um preço de petróleo entre US$ 80 e US$ 100 para justificar o investimentos no aumento da produção, enquanto outros 20% acreditavam que os preços precisavam se manter acima dos US$ 100 por barril. A pesquisa do Fed de Dallas mostrou que as empresas podem cobrir os seus custos operacionais nas bacias de shale do Permiano e de Eagle Ford com preços em qualquer nível da faixa entre US$ 23 e US$ 35 por barril.
A produção dos EUA caiu para 11,6 milhões de barris por dia no final de dezembro, de acordo com a mais recente edição do Perspectivas de Energia a Curto Prazo. O governo espera que a produção atinja uma média de apenas 12 milhões de b/d este ano antes de atingir uma novo alto no ano que vem.