Dólar fica estável no dia, mas cotação acima de R$5,50 denuncia nervosismo

Publicado 08.10.2021, 18:20
Atualizado 08.10.2021, 18:25
© Reuters. Notas de dólares e reais
10/9/2015 REUTERS/Ricardo Moraes

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar terminou a sessão no mercado à vista praticamente estável frente à taxa da véspera, com as operações locais replicando um dia de poucas variações nos ativos financeiros internacionais, após a divulgação de dados de emprego nos EUA pouco terem mexido nas apostas sobre corte de estímulos por lá.

O dólar terminou esta sexta-feira em 5,5154 reais, ante 5,5155 reais na quinta. Nesta sessão, a moeda variou de 5,5330 reais (+0,32%) a 5,4776 reais (-0,69%).

Aqui, o IPCA de setembro trouxe algum alívio aos mercados em geral, o que ajudou a evitar que o dólar sustentasse alta, apesar de a inflação ainda ter vindo com números superlativos e do anúncio nesta sexta-feira de aumento no gás e na gasolina.

A inflação na margem foi a mais alta para setembro no período do Plano Real, enquanto o acumulado em 12 meses superou os 10%.

As taxas de DI na B3 (SA:B3SA3) --uma medida das projeções de juros pelo mercado-- despencaram cerca de 20 pontos-base no fim da tarde, mais do que devolvendo o rali da véspera motivado por posições defensivas justamente por causa do IPCA. E o principal índice das ações domésticas saltou 2,03%, amparado pelo número de inflação menos pressionado.

No fim das contas, investidores entenderam que o saldo entre dados de emprego nos EUA mais brandos e uma inflação no Brasil abaixo do esperado, mas ainda pressionada, indica manutenção do cenário atual: de proximidade de corte de estímulos nos EUA e de prosseguimento de altas de juros pelo Banco Central.

E o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que as expectativas para os preços neste ano devem piorar após o anúncio nesta sexta de aumento no gás e na gasolina.

"Isso (a alta no gás e na gasolina) vai repercutir em toda a cadeia produtiva, gerando mais inflação. E o pessoal espera que isso faça o BC aumentar mais os juros", disse Lucas Schroeder, diretor de operações da Câmbio Curitiba. Campos Neto tem dito que os juros irão aonde for necessário para colocar a inflação na meta em 2022.

Juros mais altos tenderiam a aumentar o "colchão" de retorno que a taxa de câmbio oferece para o investidor que monte posição comprada em real (vendo apreciação da moeda). A taxa implícita de retorno nos contratos a termo de câmbio (NDF) está em torno de 8,3% ao ano para o vencimento de um ano, bem acima dos 2,3% do começo de 2021 e da taxa básica de juros da economia (+6,25%).

Ainda assim, o real não dá sinais de reação. A moeda brasileira amargou o pior desempenho nesta semana em relação a alguns pares emergentes, emendando a quinta semana consecutiva de perdas e mantendo-se próximo de mínimas desde abril.

O dólar saltou 2,72% nesta semana, maior acréscimo desde a série finda em 9 de julho (+4,01%). Foi a quinta alta semanal consecutiva, sequência mais longa desde as sete semanas de valorização de meados de fevereiro ao começo de abril de 2020 --portanto, em plena turbulência global por causa do início da pandemia de Covid-19.

Em relatório, o banco francês Société Générale (PA:SOGN) disse estar com alocação "abaixo da média do mercado" em América Latina, com visão "pessimista" para México e, "especialmente", Brasil.

"Preocupações políticas internas aumentam a incerteza no Brasil, com a queda na popularidade do presidente Bolsonaro se traduzindo em adiamento de reformas e ajustes fiscais, enquanto o candidato de esquerda Lula lidera as pesquisas da eleição presidencial de 2022", disseram estrategistas do banco.

Em outubro, o dólar avança 1,21% ante o real, elevando os ganhos no ano para 6,24%.

 

(Edição de Isabel Versiani)

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