Dólar fica estável no Brasil com inflação ao produtor nos EUA e novas tarifas de Trump

Publicado 13.02.2025, 17:09
Atualizado 13.02.2025, 17:41
© Reuters. Notas de real e dólarn18/12/2024. REUTERS/Amanda Perobelli/Illustration

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - Após oscilar acima dos R$5,80, o dólar perdeu força e fechou a quinta-feira praticamente estável ante o real, em um dia de queda das cotações para a moeda norte-americana no exterior na esteira da divulgação de dados sobre a inflação ao produtor dos EUA.

A expectativa em torno da adoção de mais tarifas de importação pelos EUA -- algo confirmado durante a tarde -- também trouxe volatilidade aos negócios com moedas.

O dólar à vista fechou em leve alta de 0,10%, aos R$5,7679. Em 2025 a moeda norte-americana acumula queda de 6,65%.

Às 17h28 na B3 (BVMF:B3SA3) o dólar para março -- atualmente o mais líquido -- cedia 0,06%, aos R$5,7815.

Pela manhã o dólar ensaiou uma recuperação ante o real, após os recuos mais recentes. A moeda chegou a renovar máximas já depois da divulgação do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos EUA, mas posteriormente a abertura do indicador deu motivos para o enfraquecimento dos rendimentos dos Treasuries e, em paralelo, do dólar.

O PPI subiu 0,4% em janeiro, após avanço revisado para cima de 0,5% em dezembro e acima da alta de 0,3% projetada por economistas de pesquisa da Reuters.

Apesar da elevação acima do esperado, chamaram a atenção no PPI elementos benignos que entram no cálculo do núcleo do índice PCE -- bastante acompanhado pelo Fed. Entre eles os custos de consultórios médicos e hospitais, que ficaram praticamente estáveis, e os preços de administração de portfólio, que subiram apenas 0,4%.

A abertura do PPI sugeriu que o Federal Reserve pode ter espaço para mais cortes de juros, o que pesou sobre o dólar em todo o mundo.

No Brasil, após marcar a máxima de R$5,8002 (+0,66%) às 11h04, o dólar à vista perdeu força e se reaproximou da estabilidade.

Profissionais ouvidos pela Reuters atribuíram a perda de força global do dólar também a notícias de que o presidente dos EUA, Donald Trump, poderia adiar o anúncio de tarifas recíprocas sobre produtos importados de outros países.

Durante a tarde, Trump assinou decreto sobre a adoção das tarifas, mas a cobrança efetiva ficou para adiante. Uma autoridade da Casa Branca esclareceu que as tarifas não entrarão em vigor nesta quinta-feira, mas podem começar a ser impostas em semanas. O governo norte-americano vai analisar a situação país a país.

De acordo com Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, o dólar no Brasil também tem sido influenciado por fatores técnicos: sempre que a cotação ultrapassa os R$5,80 surgem vendedores de moeda no mercado, o que coloca os preços para baixo -- como ocorreu nesta quinta-feira. Quando a cotação cai um pouco mais, surgem compradores.

“No atual momento, um dólar entre R$5,75 e R$5,85 parece estar dentro do que o mercado tem enxergado do atual cenário. Isso não quer dizer que vai ficar assim para sempre”, disse Izac, pontuando que além das tarifas no exterior os investidores seguem atentos às questões fiscais e à inflação no Brasil.

Pela manhã o Banco Central vendeu, em sua operação diária, 15.000 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 5 de março de 2025.

Às 17h26, já após a ação de Trump em relação às tarifas recíprocas, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,73%, a 107,120.

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