Vinho e bebidas destiladas da UE terão tarifas de 15% dos EUA a partir de 1º de agosto, diz bloco

Publicado 31.07.2025, 08:51
Atualizado 31.07.2025, 08:56
© Reuters. Garrafas de vinho italiano em loja em Roman14/07/2025 REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Por Jan Strupczewski e Julia Payne

BRUXELAS (Reuters) - Os vinhos e as bebidas destiladas da Europa enfrentarão uma tarifa de importação de 15% dos Estados Unidos até que um acordo diferente seja firmado em negociações que devem continuar, disseram a Comissão Europeia e diplomatas da UE nesta quinta-feira, frustrando as esperanças dos produtores de um alívio imediato.

No domingo, um acordo comercial entre Bruxelas e Washington estabeleceu uma tarifa de 15% para a maioria das importações da UE para os Estados Unidos, embora alguns setores tenham ficado isentos. 

Atualmente, a tarifa dos EUA sobre vinhos e destilados europeus é de 10%. Bruxelas está empenhada em reduzi-la a zero ou, pelo menos no caso do vinho, às taxas da Nação Mais Favorecida (NMF), que são definidas com base em um custo fixo por litro, e não em termos percentuais. 

"A Comissão continua determinada a alcançar e garantir o número máximo de exceções, inclusive para produtos tradicionais da UE, como vinho e destilados", disse o porta-voz da Comissão para o comércio, Olof Gill, em uma coletiva de imprensa.

"Não esperamos que o vinho e os destilados sejam incluídos como uma isenção no primeiro grupo anunciado pelos EUA amanhã (sexta-feira). E, portanto, esse setor será capturado pelo teto de 15%", disse ele. 

Os produtores de vinho disseram que a tarifa, mesmo que temporária, prejudicará o setor, especialmente quando combinada com a valorização do euro.

"A tarifa de 15% sobre os vinhos da UE, mesmo que aplicada por alguns meses até que as negociações sejam encerradas, causaria perdas econômicas significativas não apenas para os produtores de vinho da UE, mas também para as empresas norte-americanas envolvidas em toda a cadeia de suprimentos", disse Ignacio Sánchez Recarte, secretário geral do grupo de produtores de vinho europeus CEEV. 

"Quando combinada com a mudança na taxa de câmbio Dólar/Euro, a carga financeira geral do setor pode chegar a 30%. Os investimentos serão interrompidos e os volumes de exportação diminuirão enquanto se aguarda o acordo final", disse ele.

Os EUA devem publicar um decreto na sexta-feira, implementando o acordo comercial-quadro que foi fechado no domingo entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Separadamente, a UE e os EUA devem publicar uma declaração conjunta nos próximos dias, explicando os detalhes do acordo-quadro.

Um diplomata graduado próximo às negociações disse à Reuters que as conversas sobre as tarifas de vinhos e destilados continuarão depois que a UE e os EUA finalizarem sua declaração conjunta.

"(Isso ocorrerá) provavelmente no outono (do Hemisfério Norte)", disse o diplomata.

Até recentemente, os destilados se beneficiavam de tarifas zero entre os EUA e a UE, após um acordo em 1997 que também incluía outros países, como Canadá e Japão. 

Isso durou até 2018, quando a resposta da UE às tarifas de aço e alumínio dos EUA incluiu o aumento das tarifas sobre o bourbon e outras bebidas alcoólicas dos EUA. Essas tarifas foram suspensas em 2021.

(Reportagem de Jan Strupczewski, Julia Payne e Phil Blenkinsop, em Bruxelas, e Emma Rumney, em Londres)

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