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Como Adequar sua Carteira a uma Estratégia Passiva?

Por André SalmerónResumo do Mercado10.11.2021 14:24
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Como Adequar sua Carteira a uma Estratégia Passiva?
Por André Salmerón   |  10.11.2021 14:24
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Se você investe, é muito provável que sua carteira tenha uma boa dose de produtos de gestão ativa. Muitas vezes, as pessoas sequer sabem que existe uma outra forma de abordar seus investimentos, que não envolve a busca ativa por oportunidades nos mercados de renda fixa ou variável. Não é por acaso: uma gestão ativa é muito mais interessante para quem vende cursos, relatórios, produtos de investimento e afins.

Na realidade, as coisas são muito simples: incontáveis pesquisas mostram que a capacidade de gestores/as ou analistas de produzir resultados acima da média é largamente definida pela sorte. De resto, produzem resultados sistematicamente piores do que a média do mercado, enquanto consomem uma grande parte do patrimônio de quem investe através de taxas de administração e performance – afinal, quanto mais ativa a gestão, maiores os custos operacionais.

Há quem diga que por isso é melhor operar de forma ativa por conta própria, selecionando títulos de renda fixa ou ações com base nas próprias análises, ou assinando um serviço de recomendação profissional. Infelizmente, você incorrerá nos mesmos problemas e tende a ter um resultado que pode ser ainda pior. Se grandes equipes de gestão não conseguem, você sozinho/a dificilmente conseguirá, e há ainda o componente emocional.

O que eu, pessoalmente, recomendaria então? Adeque sua carteira a uma estratégia passiva, capture o prêmio médio do mercado com instrumentos de baixo custo e pare de tentar ganhar do mercado – ou pagar para alguém tentar. Você pode fazer isso buscando os fundos com as menores taxas e maior grau de diversificação disponíveis no mercado nacional, descartando coisas como FIIs e outros ativos híbridos (parte renda fixa, parte renda variável).

Palavra do analista

Quem me acompanha há mais tempo aqui no Investing.com Brasil sabe que eu era um enfático proponente da análise técnica. Sou, inclusive, analista CNPI-T, embora não exerça mais essa atividade por entender que ela não é benéfica para quem investe. Daí que tenha migrado para a área de consultoria, em que não existe conflito de interesses entre a defesa da gestão passiva e ativa – afinal, essa última precisa ser aceita para que faça sentido analisar ativos individuais.

 

Que fique bem claro, eu não estou dizendo que empresas e profissionais de análise exercem sua atividade cientes de que tendem a prejudicar quem investe. Muito provavelmente essas pessoas utilizam os mesmos princípios de gestão ativa em suas carteiras, porque acreditam de forma genuína naquilo que fazem. Entretanto, não há como ignorar o extenso corpo de estudos estatísticos que mostram o fracasso sistemático da gestão ativa e da robustez dos modelos centrados na hipótese do mercado eficiente.

Como reconstruir sua carteira

Uma carteira focada em captar passivamente os prêmios de mercado gira, basicamente, em torno de fundos de investimentos e fundos de investimento negociados em bolsa (ETF). Isso porque delegaremos a esses fundos a responsabilidade pela manutenção de uma carteira altamente diversificada ou, quando possível, replicação de um índice que reflita a média daquele mercado.

Vamos começar pela renda fixa. Em síntese, existem dois prêmios a serem buscados nesse caso: aqueles do mercado pós-fixado e pré-fixado. No primeiro caso, sugiro optar por fundos de crédito privado de alta qualidade (high grade), que tendem a produzir um resultado ligeiramente superior ao CDI no longo prazo. Descarte qualquer um que lhe cobre taxa de performance e pense bem sobre a necessidade de manter fundos que cobrem taxa de administração superior a 0,5%.

Para o mercado pré-fixado, popularmente conhecido como dos títulos de inflação, temos algumas opções interessantes, visto que podemos simplesmente replicar o índice IMA-B através de um ETF. Com isso em mente, vale a mesma lógica do item anterior: se desfaça de fundos que cobrem taxa de performance e os substitua por algum dos fundos de índice listados na B3 (SA:B3SA3). Como estamos simplesmente tentando replicar o IMA-B, quem fizer isso pela menor taxa de administração tem prioridade.

 

Fundos multimercado, que costumam se valer de estratégias de gestão ativa, não são algo que eu recomendo na maior parte dos casos. É mais interessante ter uma parte da carteira diretamente em renda fixa e outra diretamente em renda variável do que delegar essa mistura a um fundo multimercado. Vale lembrar que aqueles que focam em ouro, câmbio, commodities, alternativos etc. tendem a ter péssimos resultados no longo prazo.

 

Um problema similar é representado por fundos imobiliários. Ao contrário do que é difundido, FIIs não aumentam a diversificação da carteira – pelo contrário, eles pioram. Isso ocorre porque eles são um híbrido de renda fixa e variável, mas lastreados em ativos de baixa liquidez (imóveis). Isso faz com que esse mercado seja bem menos eficiente do que a renda fixa ou variável, diminuindo também a eficiência do seu portfólio e contribuindo para ganhos menores.

No que diz respeito à porção dedicada à renda variável, a regra é buscar o retorno médio dos mercados globais, e não do mercado nacional. Isso representa uma mudança radical de paradigma, pois o Brasil é um dos países com maior viés de país de origem do mundo. Isso significa que se aloca, em geral, muito mais dinheiro em ações brasileiras do que se deveria, e que se criam expectativas completamente fora da realidade sobre os prováveis retornos da bolsa.

 

Para se ter uma ideia, um portfólio brasileiro tem, em média, 99% de seus ativos em renda variável alocados em empresas brasileiras, ainda que o Brasil represente menos de 1% do mercado global. Isso sem considerar o problema adicional de que esse mercado está atrelado ao real, uma moeda historicamente muito fraca. Embora nem todo mundo esteja pronto pra inverter essa posição e deixar apenas 1% investido em empresas nacionais, esse seria o ideal.

No caso, bastariam três ETFs de renda variável para conseguir um portfólio altamente rentável e diversificado, especialmente quando comparado aos índices da B3, como Ibovespa e IBRX. Primeiro, um ETF como o BIVB11 para replicar o S&P 500 ou mesmo um índice como BITO39, que representa o mercado total dos EUA. Além destes, BIEF39, que replica um índice de mercados desenvolvidos excluindo EUA/Canadá e BIEM39, que replica um índice de mercados emergentes (do qual cerca de 5% é representado pelo Brasil).

Proporções de alocação

 

Além de inúmeras pesquisas relatarem a incapacidade da gestão ativa de produzir resultados superiores à média do mercado, um fato relativamente pouco conhecido é que a maior parte dos retornos obtidos (com ou sem gestão ativa) por um portfólio dependem das proporções de alocação nas diferentes classes de ativo. O que isso significa?

Bom, vamos tomar um conjunto hipotético de cinco portfólios que possuem alocação de 50% em renda fixa e 50% em renda variável.

Cada um desses portfólios é composto por títulos e ações diferentes, mas mantendo a proporção entre renda fixa e variável. No longo prazo, eles tendem a produzir resultados muito parecidos entre si, mostrando que a composição individual não teve grande relevância. O mesmo vale para um exemplo no qual a proporção seja, digamos, de 20% renda fixa e 80% variável.

Isso mostra que a composição individual do portfólio (quais ações e títulos estão nele) não é tão importante, no longo prazo, quanto a proporção entre as classes de ativo. Isso, claro, com o diferencial que carteiras com gestão ativa tem performance pior, ainda que mantida a mesma proporção entre classes de ativo.

Logo, a grande questão é definir essa proporção em função das suas preferências de risco, objetivos individuais, demandas de liquidez etc. Carteiras com maior exposição a renda variável tendem a gerar retornos mais altos no longo prazo, e vice-versa, mas você não vai conseguir gerar retornos adicionais sem acatar os riscos adicionais associados a esse prêmio.

Por outro lado, facilita bastante as coisas para quem investe: você só precisa ponderar qual o tamanho do risco de volatilidade que gostaria de incorrer e manter essa proporção no seu portfólio. Como você estará captando as médias do mercado global de ações e do mercado nacional de crédito, não precisa fazer praticamente nada além de balancear sua carteira no fim do ano para manter a proporção entre classes de ativo.

Dúvidas? Converse com um consultor

Se você tem receio de construir o próprio portfólio ou gostaria que ele fosse criado pensando especificamente na sua situação, um bom caminho é conversar com um consultor de valores mobiliários, profissional autorizado pela CVM para prestar esse tipo de serviço. Embora a gestão passiva seja relativamente desconhecida no Brasil, existem pessoas que, como eu, trabalham com essa perspectiva e se orientam apenas por pesquisas acadêmicas amplamente aceitas.

Caso tenha interesse nesse tipo de serviço, pode entrar em contato pelo e-mail: andre@salmeroninvestimentos.com.br. Dúvidas, sugestões e recomendações também são muito bem-vindas!

Este texto tem cunho meramente educativo e não deve ser considerado uma recomendação de investimentos. Todo investimento financeiro carrega riscos de perda parcial, total ou, em alguns casos, superior ao montante investido. Nunca invista em produtos ou serviços sem conhecer os riscos associados a ele, e evite aqueles que não possuem regulamentação da CVM, Banco Central ou entidade estrangeira equivalente.

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Comentários (1)
Benedicta Mattos
Benedicta Mattos 13.11.2021 13:38
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Ola Sr Andre , gostei muito do seu artigo , muito bom ,Parabens
 
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