Maioria das tarifas de Trump não é legal, decide tribunal de recursos dos EUA
A disputa pelos chips de inteligência artificial entre Estados Unidos e China chegou a um ponto crítico, com empresas chinesas acelerando o desenvolvimento de alternativas domésticas aos processadores da Nvidia (NASDAQ:NVDA).
O que começou como controles de exportação para manter a vantagem tecnológica americana acabou estimulando a corrida chinesa pela autossuficiência em IA. Com bilhões de dólares em investimentos do governo e avanços de companhias como Alibaba, Huawei e Cambricon, a Nvidia se vê cada vez mais no centro de um conflito geopolítico complexo.
Apesar de reportar receita trimestral recorde de US$ 46,7 bilhões, a gigante dos semicondutores corre o risco de perder espaço em um mercado que o CEO Jensen Huang descreveu como uma “oportunidade de US$ 50 bilhões”: o segundo maior do mundo em computação.
O avanço agressivo da China pela independência em IA
Pequim lançou uma campanha inédita para criar uma cadeia de suprimentos autossuficiente em IA, apoiada por forte investimento estatal e um viés nacionalista. Em janeiro de 2025, o governo anunciou um fundo de US$ 8,4 bilhões para IA, evidenciando o compromisso de reduzir a dependência de tecnologia americana.
Autoridades chinesas vêm desencorajando empresas locais, sobretudo estatais, de adquirirem chips da Nvidia, alegando preocupações de segurança.
Esse movimento já é visível no setor de tecnologia chinês. A Huawei apresentou sistemas de computação com 384 chips Ascend, que, segundo alguns analistas, superam os modelos mais avançados da Nvidia em métricas específicas. Outras companhias, como a MetaX, de Xangai, desenvolveram chips com maior capacidade de memória do que o Nvidia H20, projetados como substitutos diretos dos processadores americanos.
Ainda mais relevante, startups locais estão mostrando resultados competitivos. A DeepSeek, rival chinesa da OpenAI, lançou recentemente o modelo V3.1 otimizado para chips nacionais, o que estimulou uma alta nas ações de tecnologia na China.
Alibaba também apresentou um novo chip de IA de fabricação própria, rompendo a dependência anterior de processadores produzidos pela TSMC (NYSE:TSM). Já a Cambricon reportou receita trimestral de US$ 247 milhões com seus chips Siyuan 590, com tamanha valorização de suas ações que a própria empresa alertou investidores contra excesso de euforia.
Nvidia no fogo cruzado geopolítico
O caso da Nvidia ilustra como empresas americanas se tornaram alvos da guerra tecnológica EUA–China.
A companhia está proibida de vender seus chips mais avançados para a China desde 2022, o que a levou a criar o H20, uma versão enfraquecida para atender às restrições. Mesmo assim, a própria Nvidia admite incerteza regulatória e alertou que pode não conseguir desenvolver um produto competitivo aprovado para os data centers chineses.
O impacto financeiro já aparece: as vendas para clientes na China caíram de US$ 3,7 bilhões para US$ 2,8 bilhões em um ano. No último trimestre, nenhum H20 foi enviado ao país. Em contrapartida, a receita de clientes em Cingapura disparou 80%, a US$ 10,1 bilhões, embora a Nvidia tenha esclarecido que esses produtos são “quase sempre enviados para outros destinos”, sugerindo manobras para contornar restrições comerciais.
O quadro se complicou ainda mais com a proposta inédita do presidente Trump de permitir vendas de chips de IA à China em troca de 15% da receita. Segundo a CFO Colette Kress, apesar da “expectativa” expressa pelo governo, nenhuma regulamentação oficial foi publicada. A empresa advertiu que esse tipo de exigência poderia gerar litígios, elevar custos e prejudicar sua posição competitiva.
Além disso, Pequim abriu sua própria frente regulatória, incluindo uma investigação antitruste sobre a aquisição da Mellanox em 2020 e questionamentos sobre eventual discriminação contra clientes chineses pelo cumprimento das restrições americanas. Assim, a Nvidia enfrenta pressões contraditórias de Washington e Pequim, enquanto potenciais concorrentes ganham espaço.
Comprar na queda ou enfrentar um vento estrutural contrário?
Apesar de registrar crescimento de 56% na receita trimestral, chegando a US$ 46,7 bilhões, e projetar US$ 54 bilhões para o próximo trimestre, as ações da Nvidia recuaram 3,1% no after-market, refletindo as preocupações com a China. Negociado a US$ 180,17, com valor de mercado de US$ 4,39 trilhões, o papel ainda carrega múltiplos exigentes: P/L futuro de 40 vezes e 26,9 vezes vendas, métricas que pressupõem crescimento contínuo ameaçado pela busca chinesa por independência tecnológica.
O argumento otimista continua válido no curto prazo. A liderança tecnológica da Nvidia é indiscutível, e até concorrentes chineses admitem que ainda tentam alcançar o desempenho do H20, que não é o chip de ponta, mas sim uma versão intermediária. Além disso, o ecossistema da empresa, com softwares e ferramentas amplamente usados por engenheiros, cria barreiras relevantes de troca.
Se houver retomada das vendas do H20, a receita trimestral poderia ganhar até US$ 5 bilhões adicionais, segundo estimativas da CFO.
Por outro lado, os riscos estruturais aumentam. Empresas chinesas estão montando ecossistemas completos de IA otimizados para chips locais. O avanço rápido de modelos de IA open source na China, que inclusive estimulou a OpenAI a retomar projetos abertos, indica que a diferença tecnológica pode diminuir em ritmo acelerado.
Como destacou um analista, as adaptações chinesas podem permitir que desenvolvedores de IA desafiem “a Nvidia e todo o ecossistema americano de IA, tanto no mercado interno quanto no externo” mais cedo do que o previsto.
Em última análise, a tese de investimento depende da capacidade da Nvidia de sustentar sua dominância atual diante da estratégia sistemática da China de construir alternativas. Embora os resultados de curto prazo sejam sólidos, investidores precisam avaliar se o valuation atual da companhia incorpora adequadamente os riscos de longo prazo de um cenário tecnológico cada vez mais dividido.
Os próximos trimestres serão decisivos para saber se a Nvidia conseguirá manter sua trajetória de crescimento ou se entrará em um ambiente competitivo mais desafiador à medida que a cadeia chinesa de IA amadurece.
***
PARE DE INVESTIR NO ESCURO! No InvestingPro, você tem acesso a ferramentas treinadas de IA em 25 anos de métricas financeiras para escolher as melhores ações e ainda tem acesso a:
- Preço-justo: saiba se uma ação está cara ou barata com base em seus fundamentos.
- ProTips: dicas rápidas e diretas para descomplicar informações financeiras.
- ProPicks: estratégias que usam IA para selecionar ações explosivas.
- WarrenAI: consultor pessoal de IA treinado com dados do Investing.com para tirar suas dúvidas sobre investimentos.
- Filtro avançado: encontre as melhores ações com base em centenas de métricas.
- Ideias: descubra como os maiores gestores do mundo estão posicionados e copie suas estratégias.
- Dados de nível institucional: monte suas próprias estratégias com ações de todo o mundo.
- ProNews: acesse notícias com insights dos melhores analistas de Wall Street.
- Navegação turbo: as páginas do Investing.com carregam mais rápido, sem anúncios.
AVISO: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo. Não constitui oferta, recomendação ou solicitação para compra de ativos. Lembramos que todos os investimentos envolvem riscos relevantes e devem ser avaliados sob múltiplas perspectivas. O InvestingPro não oferece consultoria de investimentos. As decisões e riscos assumidos são de inteira responsabilidade do investidor.