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Fed se Mantém Dovish

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Fed se Mantém Dovish
Por Julio Hegedus Netto   |  29.07.2021 08:38
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Sem grandes novidades na reunião do Fed desta quarta-feira. Jerome Powell, presidente da instituição, nada disse que trouxesse alguma pista sobre o timing para o tapering na sua política monetária, por ora mantendo a estratégia acomodatícia.

Aumentam as expectativas sobre o que deve “acontecer” no simpósio de Jackson Hole, dias 26 à 28 de agosto. Lembremos que em 2020 neste evento foram anunciadas “políticas monetárias comparáveis aos períodos pós-guerra para trazer substancial recuperação da economia americana”. Portanto, muitos esperam que nesse evento Powell possa começar a mudar o seu discurso, se tornando mais hawkish, mais agressivo, falando sobre tapering e redução dos estímulos monetários. Será? Aguardemos.

A verdade é que o processo de abertura da economia norte-americana, entremeado por picos de novos casos devido à Cepa Delta, vai tornando mais turvo o horizonte da economia norte-americana. Nesta retomada, é natural que repiques inflacionários possam ocorrer, como no caso da indústria automobilística, em que a falta de chips afeta a oferta e os preços do setor. Daí o presidente do Fed achar a inflação atual como transitória. Sem dúvida. O problema é quando estes se propagam, se perpetuam e se tornam permanentes. Nos manuais, isso acontece quando a inflação passa de 10% ao ano e neste patamar vai evoluindo.

Mesmo assim, nos comunicados e entrevistas, decorrentes da reunião do FOMC de ontem, Powell optou por se manter “neutro, mas atento”. A taxa de recompra foi mantida entre o e 0,25% e o limite na compra de ativos. Disse ele “que a inflação pode acabar sendo mais alta e persistente do que o esperado. Se esta se mover materialmente e persistentemente acima da meta, o Fed está preparado para atuar”.

Disse também que confia no progresso contínuo nas vacinações para o retorno a “condições econômicas mais normais”. Disse, enfim, que “não estamos nem próximos de considerar elevação de juros”. Segundo ele, “observaremos os próximos indicadores de inflação, emprego e atividade, para formar novos conceitos sobre este processo de “desmonte da política de estímulos”, quando será possível (data dependent)”. Mas política monetária é isso. É a famosa “sintonia fina” na qual o Banco Central meio que vai atuando “tateando” de acordo com os indicadores a serem divulgados e os canais de transmissão da política monetária.

No Brasil, teremos reunião do Copom na semana que vem e tudo se comenta sobre o endurecimento nas ações do BACEN. O debate agora gira sobre se o aperto monetário será de 1,0 ponto ou 1,25.

No outro front, o fiscal, seguem as escaramuças do governo, em simbiose com o Centrão e o seu fisiologismo. Na reforma ministerial, Onyx Lorenzoni foi para um recriado ministério do Trabalho e Previdência, Luiz Eduardo Ramos para a Secretaria Geral e Ciro Nogueira ficou com o “botim” da Casa Civil. Isso significa que ele se torna uma espécie de “primeiro ministro”, responsável por todas as ações de política pública, onde alocar recursos, quem contratar etc. Ou seja, será ele, de fato, a responder pelas ações do governo Bolsonaro. Se o presidente acha que ainda manda, pode ir tirando o “cavalinho de chuva”. Está cada vez mais na mão do Centrão.

Por outro lado, Paulo Guedes, observando mais um ataque ao seu (no passado) “super ministério”, tratou de se proteger e organizar as secretarias. É objetivo se manter no controle do Orçamento, dos gastos, por isso, ter “juntado” duas secretarias e criado a “Secretaria de Tesouro e Orçamento”. É este, aliás, um dos alvos do Centrão, no esforço de recriar o Ministério do Planejamento. Com a “chave do cofre”, sobre o direcionamento de recursos públicos, tudo se torna mais fácil, não é verdade?

Em paralelo a isso, Guedes confirmou nesta quarta-feira que empresas do regime tributário Simples Nacional ficarão isentas da taxação sobre lucros e dividendos, a ser cobrada sobre grandes empresas. Poderão optar pelo Simples Nacional micro e pequenas empresas que faturam até R$ 4,8 milhões ao ano. Disse ele que um dos objetivos é fazer com que os cidadãos mais ricos paguem mais impostos. Segundo o ministro, embora os empresários aleguem que já realizam pagamentos de tributos por meio de suas empresas, a reforma visa reduzir a tributação para as companhias e criar mecanismos para que os "super ricos" contribuam mais com a arrecadação federal.

O relator da reforma tributária, deputado Celso Sabino, disse também que o governo pretende oferecer aos brasileiros com recursos no exterior a opção de pagar 6% de imposto agora e ficar isento quando repatriar o recurso. Hoje, é preciso pagar 15% de ganho de capital quando o dinheiro entra no Brasil. A medida seria uma forma de compensar a queda de arrecadação com a isenção da tributação para as empresas que estão no Simples.

Um dado importante veio do BACEN, sobre a evolução do crédito doméstico neste ano. Por estes dados fica-se sabendo que o endividamento das famílias tem se mantido em trajetória elevada. Em abril, o índice de famílias endividadas com o sistema financeiro chegou a 58,5%, maior porcentual da série histórica, iniciada em 2005. Além disso, os juros do cheque especial avançaram para 125,6% ao ano em junho, ante 122,9% em maio. O valor também é maior do que a taxa de 112,6% a.a., registrada no mesmo mês do ano passado. Desde 2020, a modalidade não pode ultrapassar o teto de 8% ao mês, equivalente à 151,8% ao ano, imposto pelo Bacen.

Além disso, segundo o IBGE, a inflação da indústria avançou 1,31% em junho contra o mês anterior (0,99%). Com isso, o acumulado no ano chegou a 19,11%, o maior patamar para o período de toda a série histórica, iniciada em 2014.

No mercado, o Ibovespa registrou alta de 1,34%, a 126.285 pontos, com volume financeiro de R$ 31,777 bilhões. O dólar comercial caiu 1,31% a R$ 5,11 e no mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu um ponto-base a 6,23%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de quatro pontos-base a 7,67%, o DI para janeiro de 2025 avançou três pontos-base a 8,43% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de dois pontos-base a 8,75%.

Nesta quinta-feira, a FGV divulga o IGP-M do mês de julho. Espera-se uma pequena aceleração contra junho, confirmado a tendência de alta geral nos preços. Em junho, o índice subiu 0,60%, porém desacelerou fortemente me relação a maio, quando houve alta de 4,10%. A contribuir para este repique, a perda de safras de alimentos in natura, pela onda polar, os reajustes de energia elétrica e dos serviços como um todo.

Vamos conversando!

Bons negócios!

 

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Comentários (1)
Ricardo Paraguassu
Ricardo Paraguassu 29.07.2021 9:34
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Graato pela análise , abrangente
 
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