Últimas Notícias
0
Versão sem anúncios. Atualize sua experiência no Investing.com. Economize até 40% Mais detalhes

Tupi or Not Tupi? Desafios e Oportunidades do Mercado Brasileiro

Por Felipe MirandaResumo do Mercado23.05.2022 17:15
br.investing.com/analysis/tupi-or-not-tupi-desafios-e-oportunidades-do-mercado-brasileiro-200449672
Tupi or Not Tupi? Desafios e Oportunidades do Mercado Brasileiro
Por Felipe Miranda   |  23.05.2022 17:15
Salvo. Ver Itens salvos.
Este artigo já foi salvo nos seus Itens salvos
 

Nassim Taleb oferece uma prescrição aparentemente contraintuitiva e desalinhada à cartilha mais ortodoxa de gestão de recursos: entre dois fundos de igual retorno em que um tem volatilidade superior ao outro, escolha aquele de maior volatilidade.

Evidentemente, a discordância entre Taleb e a cartilha das Finanças Modernas reside na percepção do que é risco, tratado nos manuais mais tradicionais como uma medida capaz de ser mensurada justamente pela volatilidade. 

Na falácia lógica de Bertrand Russell, repetida à exaustão por Taleb, um peru é alimentado por 360 dias sem nenhuma volatilidade e, no momento em que sua confiança estatística na própria dieta está no auge, ele próprio é servido no jantar.

Como nos lembra a Artemis Capital, a volatilidade é um instrumento de revelação da verdade, enquanto a ausência dela representa a supressão de riscos, escondidos debaixo do tapete. E, claro, os riscos mais problemáticos são justamente aqueles não mapeados, desconhecidos e que, portanto, podem nos surpreender. 

No fim do dia, o gestor que atravessou volatilidade está mais preparado para tempestades, já passou por crises e soube reagir, tem um time mais cascudo e “aguenta porrada”. O outro é um bebê criado em apartamento, à base de leitinho com pera. Como será seu comportamento na hora ruim? Eis a questão…

O mundo enfrenta ao menos dois grandes testes, para os quais a geração está despreparada.

O primeiro deles de cunho geopolítico. Se Francis Fukuyama detectou o Fim da História com a queda do muro de Berlim, quando caiu a antítese remanescente à tese da democracia liberal, agora vivemos o fim do Fim da História (ou seria o pós-História?). As autocracias se rebelam literalmente contra os valores ocidentais clássicos, voltando a haver o processo dialético hegeliano clássico para o transcorrer da História.

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia é mais do que uma questão local ou isolada. Representa uma insurgência contra a Ordem Mundial em vigor desde 1945 ou, no mínimo, desde 1989. Testa um modelo de diretrizes e tratados supranacionais, desafia as cadeias de suprimento globais, coloca em xeque a Pax Americana, promove uma remilitarização do mundo, evidencia a dependência de matérias-primas e energia de países não necessariamente muito confiáveis.

Como Thomas Friedman lembrou ao Estadão neste domingo, é uma guerra mundial, porque seus efeitos são sentidos nos quatro cantos.

A superação positiva das democracias liberais está sendo testada e, claro, todos esperamos que ela passe na prova. Contudo, teríamos instrumentos geopolíticos para lidar com uma situação inédita para toda uma geração? Os gestores de política econômica estariam preparados para algo assim? E os locadores de capital, que em sua maioria também nunca viram dinâmica semelhante?

O segundo grande teste se refere à inflação, que roda em seu patamar mais alto em 40 anos. Ou seja, os formuladores de política econômica de hoje podem ter lido em livros sobre um processo inflacionário dessa natureza, mas estavam na faculdade ou no início de suas carreiras quando, de fato, vivíamos uma escalada generalizada dos preços.

Não sabemos o resultado dos dois processos. Ninguém sabe.

Não saber, porém, não significa não agir. Voltando a Taleb, X não é F(x). Podemos não saber muito bem os desdobramentos da realidade. O mundo é meio ininteligível mesmo, e o futuro permanecerá opaco, impenetrável, parte do incognoscível. Mas também podemos entender como a realidade impacta nosso portfólio, o que é muitas vezes mais fácil.

Talvez tenhamos nos esquecido de que até a pior democracia é melhor do que uma autocracia. E conflitos bélicos são destruidores para as respectivas economias, de tal modo que viver longe de áreas com questões militares graves pode demandar menor prêmio de risco.

O Brasil é uma democracia consolidada e grande, dentro de uma América Latina que havia sido alijada dos grandes fluxos internacionais. Vamos mesmo comprar Rússia? China? Índia? Será que não temos vantagens mais evidentes agora frente a outros emergentes? 

Ao mesmo tempo, se vamos acelerar a transição energética e reduzir a dependência do gás e do petróleo russos, num mundo em que fissuras na globalização ficam mais claras e evidenciam-se temores de segurança alimentar, não faria sentido valorizar nosso amplo parque hídrico, nossa capacidade eólica e solar, nosso etanol de segunda geração, até nosso biodiesel, nosso potencial de mercado de carbono, nosso minério de ferro, nossa soja e nossa celulose?

Quanto à inflação, também temos certas vantagens comparativas. A geração que domou a inflação no Brasil ainda está por aí. Nosso histórico hiperinflacionário ainda está em nossa memória — tirando, claro, a geração que chegou à B3 (SA:B3SA3) durante a pandemia seguindo seu influenciador digital favorito, alimentada pela ração do giro louco, tão lucrativo no bull market, tão destruidor de valor no resto do tempo. A verdade é filha do tempo. 

Ademais, enquanto o mundo agora começa um aperto monetário para controlar a alta dos preços, nós estamos muito mais avançados no processo. O Brasil já tem um dos maiores juros reais do mundo, terminando o ajuste na Selic, agora em mero afinamento estético.

Você pode comprar tudo isso por menos de 7 vezes lucros, enquanto as Bolsas de países desenvolvidos ainda negociam acima de sua média histórica.

Gostamos de uma posição comprada em Bolsa brasileira, protegida com um short (menor) na Bolsa norte-americana.

Os desafios que a nova ordem mundial nos coloca são enormes. A notícia boa é que representam também uma grande oportunidade para o Brasil. Só depende da gente. A notícia ruim é que Macunaíma é um herói duplamente preguiçoso. Até a preguiça tem seu preço.

Tupi or Not Tupi? Desafios e Oportunidades do Mercado Brasileiro
 

Artigos Relacionados

Tupi or Not Tupi? Desafios e Oportunidades do Mercado Brasileiro

Adicionar comentário

Diretrizes para Comentários

Nós o incentivamos a usar os comentários para se engajar com os usuários, compartilhar a sua perspectiva e fazer perguntas a autores e entre si. No entanto, a fim de manter o alto nível do discurso que todos nós valorizamos e esperamos, por favor, mantenha os seguintes critérios em mente:

  • Enriqueça a conversa
  • Mantenha-se focado e na linha. Só poste material relevante ao tema a ser discutido.
  • Seja respeitoso. Mesmo opiniões negativas podem ser enquadradas de forma positiva e diplomática.
  • Use estilo de escrita padrão. Incluir pontuação e letras maiúsculas e minúsculas.
  • NOTA: Spam e/ou mensagens promocionais ou links dentro de um comentário serão removidos.
  • Evite palavrões, calúnias, ataques pessoais ou discriminatórios dirigidos a um autor ou outro usuário.
  • Somente serão permitidos comentários em Português.

Os autores de spam ou abuso serão excluídos do site e proibidos de comentar no futuro, a critério do Investing.com

Escreva o que você pensa aqui
 
Tem certeza que deseja excluir este gráfico?
 
Postar
Postar também no :
 
Substituir o gráfico anexado por um novo gráfico?
1000
A sua permissão para inserir comentários está atualmente suspensa devido a denúncias feitas por usuários. O seu status será analisado por nossos moderadores.
Aguarde um minuto antes de tentar comentar novamente.
Obrigado pelo seu comentário. Por favor, note que todos os comentários estão automaticamente pendentes, em nosso sistema, até que aprovados por nossos moderadores. Por este motivo, pode demorar algum tempo antes que o mesmo apareça em nosso site.
Comentários (13)
Renato Iraja
Renato Iraja 24.05.2022 8:18
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
Olha, a empiricus já fez muita m....mas esse cara escreve bem pra p... tô com ele dessa vez...
Davson Zanella
Davson Zanella 24.05.2022 4:06
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
Quer perder bastante $$$ . Assina a Empiricis e siga instruções. A receita deste aí não falha !! Tenho certeza .
jose ivanildo Reis
jose ivanildo Reis 23.05.2022 22:54
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
Zero de credibilidade !!!!!
Marcelo Augusto
MarceloAugusto 23.05.2022 22:40
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
Coragem de assumir que nosso Ibov ia despencar e mandar fazer caixa ele não teve. Sempre o longuissimo prazo, mas saber recuar também é inteligente. Ganham vendendo carteiras, trouxa é quem acompanha.
Délio Perim Júnior
Délio Perim Júnior 23.05.2022 21:31
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
citou taleb, parei de ler. tem gente que ainda acredita na " istoria" do Peru.
Lai Li
Lai Li 23.05.2022 21:25
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
Felipe Piada
Marcos Kuhnen
Marcos Kuhnen 23.05.2022 20:15
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
Só rindo..kkkk Palavras do mesmo Felipe Miranda em setembro passado sobre Lojas Marisa: O papel da Lojas Marisa é uma das ações consideradas pelo Felipe Miranda uma das Oportunidades de Uma Vida. É assim que ele chama a sua lista de cerca de 20 ações preferidas da bolsa. A ação da Marisa foi brutalmente penalizada durante a pandemia e ainda.
Roberto Grigolli
Roberto Grigolli 23.05.2022 19:49
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
É exatamente por acreditar em Taleb, que prefiro apostar no "desconto" da Bolsa Americana e do Dolar abaixo de 5 reais, do que em Ibov. Felipe faz comentários intelectuais interessantes, mas é constantemente promoter de vieses locais, ate mesmo por ser seu ganha pão, apostar em Brasil.  Viés é uma coisa que Taleb comenta muita e que devemos observar, se não acabamos engolidos como o Peru, que deveria achar que a família casa que o alimentavam eram seus grandes aliados. Felipe Miranda é um eterno promoter de Ibov e suas analises tem que serem vistas desse prisma.
Sanderson Murilo
Sanderson Murilo 23.05.2022 19:46
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
E eis que as entidades pardas soltam a contra informação... Quem mais ganha numa pseudo guerra non sense? Conglomerado industrial militar, cujos principais acionistas são bancões. Quem mais ganha com inflação mundial? Bancões. Principais acionistas do petróleo? Bancões. E esse careca trabalha para?...
Sanderson Murilo
Sanderson Murilo 23.05.2022 19:46
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
Mas o Brasil é a bola da vez...
Paulo Roberto Gonçalves
Paulo Roberto Gonçalves 23.05.2022 19:06
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
esse cara é uma falácia, deve ser bem apadrinhado, para conseguir postar alguma coisa.
 
Tem certeza que deseja excluir este gráfico?
 
Postar
 
Substituir o gráfico anexado por um novo gráfico?
1000
A sua permissão para inserir comentários está atualmente suspensa devido a denúncias feitas por usuários. O seu status será analisado por nossos moderadores.
Aguarde um minuto antes de tentar comentar novamente.
Anexar um gráfico a um comentário
Confirmar bloqueio

Tem certeza de que deseja bloquear %USER_NAME%?

Ao confirmar o bloqueio, você e %USER_NAME% não poderão ver o que cada um de vocês posta no Investing.com.

%USER_NAME% foi adicionado com êxito à sua Lista de bloqueios

Já que acabou de desbloquear esta pessoa, você deve aguardar 48 horas antes de bloqueá-la novamente.

Denunciar este comentário

Diga-nos o que achou deste comentário

Comentário denunciado

Obrigado!

Seu comentário foi enviado aos moderadores para revisão
Cadastre-se com Google
ou
Cadastre-se com o e-mail