IPCA-15 acima do previsto e disputa no Fed elevam taxas futuras nesta terça

Publicado 26.08.2025, 15:07
Atualizado 26.08.2025, 18:40
© Reuters.  IPCA-15 acima do previsto e disputa no Fed elevam taxas futuras nesta terça

Após uma tendência incipiente de melhora das expectativas inflacionárias de longo prazo ter reduzido as taxas de juros futuros na segunda-feira, dados do IPCA-15 que mostraram um quadro ainda preocupante para o Banco Central esfriaram apostas de antecipação do corte da Selic e elevaram os DIs no pregão desta terça-feira.

A piora também teve alguma influência do exterior, com os rendimentos dos Treasuries de 30 anos reagindo às incertezas provocadas pela demissão da diretora Lisa Cook do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027 subiu de 13,916% no ajuste da segunda a 13,975%. O DI para janeiro de 2028 aumentou de 13,236% no ajuste anterior a 13,305. O DI para janeiro de 2029 avançou de 13,202% no ajuste da véspera para 13,245%, e o DI para janeiro de 2031 marcou 13,585%, vindo de 13,561% no ajuste antecedente.

Divulgada nesta terça pelo IBGE, a prévia da inflação oficial de agosto recuou 0,14%, enquanto a mediana do Projeções Broadcast projetava redução de 0,21%. Mais do que o número cheio em si, chamou atenção do mercado a aceleração dos núcleos, dos serviços e a maior disseminação dos reajustes de preços - um conjunto de informações que deve manter a postura cautelosa do Comitê de Política Monetária (Copom).

"O boletim Focus havia mostrado uma correção das expectativas, indicando que a inflação poderia vir mais baixa, e o IPCA-15 caminhou em sentido contrário", diz Vitor Oliveira, sócio da One Investimentos, que destaca a deterioração da inflação de serviços. Esse grupo vem sendo acompanhado com lupa pelo BC, por ter correlação maior com o mercado de trabalho, que ainda segue resiliente.

Embora, na passagem mensal, a inflação de serviços tenha desacelerado de 0,70% a 0,50%, no acumulado em 12 meses, a alta dos preços desse setor da economia alcançou 5,96% - maior nível em 20 meses -, destaca Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays. Até julho, os serviços subiam 5,74% dentro do IPCA-15.

O núcleo da inflação de serviços deve permanecer pressionado, avalia Secemski, encerrando o ano perto de 6% em 12 meses - o dobro da meta de inflação perseguida pelo BC, de 3%. Devido à moderação dos preços de bens industriais e de alimentos, na esteira da valorização do real, o economista reduziu suas estimativas para o aumento do IPCA em 2025 e 2026 - para 4,9% e 4,2%, respectivamente -, mas continua enxergando uma conjuntura difícil para o Copom, que só deve começar a cortar a Selic em março de 2026.

"No geral, o cenário para a inflação no Brasil continua desafiador e, em nossa opinião, requer atenção do BC, em meio a pressões inerciais persistentes, expectativas de médio e longo prazos desancoradas, um mercado de trabalho apertado e uma demanda doméstica robusta", diz Secemski.

Segundo Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, a manutenção da Selic ao menos até o final de 2025 é a melhor estratégia neste momento para o colegiado. "A política monetária deve permanecer restritiva para moderar o crescimento, aliviar pressões sobre o emprego e garantir a convergência da inflação no horizonte relevante", afirma Costa. No cenário da corretora, o primeiro corte ocorre em janeiro de 2026.

Oliveira, da One Investimentos, acrescenta que a abertura nas taxas mais longas dos Treasuries nesta terça também contribuiu para pressionar a curva local, ainda que o principal condutor dos negócios tenha sido o IPCA-15.

Às 18h02, o juro do T-Bond de 30 anos subia a 4,922%. Na noite da segunda, o presidente Donald Trump anunciou a demissão de Lisa Cook como dirigente do Fed, o que despertou dúvidas sobre a independência do BC norte-americano. Cook já descartou deixar o cargo, em um impasse que deve ser decidido pelo Judiciário dos EUA.

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