Dólar despenca no pós-Carnaval para R$5,7558 com sinais de desaceleração dos EUA

Publicado 05.03.2025, 17:07
Atualizado 05.03.2025, 18:10
© Reuters. Notas de dólarn12/10/2021. REUTERS/Cagla Gurdogan/File Photo

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar despencou ante o real nesta quarta-feira e encerrou o dia novamente na faixa dos R$5,75, com as cotações se ajustando ao recuo da moeda norte-americana no exterior nos últimos dias, quando o Carnaval manteve o mercado brasileiro fechado, em meio a sinais de desaceleração da economia dos EUA.

Em uma sessão iniciada apenas na segunda metade desta Quarta-Feira de Cinzas, o dólar à vista fechou em baixa de 2,72%, aos R$5,7558, em um recuo de 16 centavos de real ante o fechamento de sexta-feira. No ano a moeda norte-americana acumula perdas de 6,85%.

Às 17h04, na B3 (BVMF:B3SA3) o dólar para abril -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 2,03%, aos R$5,7900.

Na sexta-feira o dólar à vista havia fechado em forte alta de 1,50%, a R$5,9165 -- maior cotação de fechamento desde 24 de janeiro --, com investidores assumindo posições de proteção na moeda norte-americana para enfrentar o período de Carnaval no Brasil, que manteve o mercado fechado na segunda e na terça-feira.

Com a volta dos negócios na tarde desta quarta-feira, o dólar exibiu queda firme, com parte das posições compradas (no sentido de elevação das cotações) sendo desfeita e em sintonia com o recuo da moeda norte-americana no exterior.

"Tem um movimento interessante que está acontecendo, com várias medidas de atividade econômica apontando para uma desaceleração muito forte nos EUA", pontuou Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master, citando o efeito de políticas como cortes fiscais e demissões em massa no setor público norte-americano.

"Isso vai bater inclusive no dólar, com a visão de que eventualmente o Fed (Federal Reserve) vai cortar juros este ano", acrescentou.

Pela manhã o Relatório Nacional de Emprego da ADP reforçou essa leitura ao indicar que a economia dos EUA abriu apenas 77.000 vagas de emprego no setor privado no mês passado, depois 186.000 em janeiro em dado revisado para cima. O resultado de fevereiro ficou bem abaixo dos 140.000 postos projetados em pesquisa da Reuters com economistas.

A queda da moeda norte-americana ao redor do mundo também ocorria em meio a preocupações quanto aos efeitos da política tarifária dos EUA sobre a inflação e, em consequência, sobre os juros e o dólar.

Na terça-feira começaram a valer as novas tarifas de importação de 25% dos EUA sobre produtos do México e do Canadá, além de novas taxas sobre os produtos da China.

Durante a tarde desta quarta-feira, porém, a Casa Branca confirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, dará um mês de isenção de tarifas para qualquer automóvel que entre no território norte-americano por meio do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês). Na prática, este foi mais um episódio de relaxamento das cobranças de tarifas pelos EUA.

“A gente ainda vê um dólar mais forte por conta da tese de que as tarifas dos EUA serão inflacionárias. O que está mudando no cenário é que estamos vendo uma desaceleração da economia norte-americana, porque os dados estão vindo mais fracos que o esperado”, pontuou Nicolas Gomes, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.

“Não descarto a tese antiga, de inflação mais forte e dólar mais forte, mas como os dados estão mostrando enfraquecimento, pode ser que tenhamos um dólar um pouco menor”, acrescentou.

Às 16h57, já na reta final do mercado à vista brasileiro, o dólar marcou a cotação mínima da sessão, de R$5,7528 (-2,77%).

No exterior o dólar seguia em baixa ante praticamente todas as demais divisas -- incluindo o peso do México e o dólar do Canadá, dois dos principais alvos das tarifas de Trump. Às 17h16 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 1,19%, a 104,310.

 

(Por Fabrício de Castro)

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