Maioria das tarifas de Trump não é legal, decide tribunal de recursos dos EUA
(Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que não está com pressa para adotar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos, diante da imposição pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, neste mês de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
Falando em entrevista à Rádio Itatiaia, Lula reiterou que o Brasil deseja negociar com os EUA para resolver o impasse, acrescentando que é o governo norte-americano que não está disposto a discutir a taxação.
"Eu não tenho pressa de fazer a reciprocidade com os Estados Unidos", disse Lula na entrevista, dada depois de, na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores acionar a Câmara de Comércio Exterior para analisar a aplicação pelo Brasil da Lei da Reciprocidade Econômica sobre os Estados Unidos.
Lula afirmou que a decisão de acionar a Camex foi tomada para "andar o processo", que ele disse ser demorado.
"Se você for tentar andar na forma que todas as leis exigem, o comportamento da Organização Mundial do Comércio, o comportamento das regras, você vai demorar um ano. Então nós temos que começar. Nós já entramos com processo na Organização Mundial do Comércio", disse Lula.
"Nós temos que dizer para os Estados Unidos que nós também temos coisas para fazer contra os Estados Unidos", acrescentou.
A partir de agora a Camex tem 30 dias para apresentar um relatório sobre se as tarifas aplicadas pelos EUA quebram as regras do comércio internacional e podem justificar a adoção de medidas de reciprocidade, de acordo com a lei aprovada pelo Congresso em abril deste ano.
Depois dos 30 dias, se aprovada a adoção de medidas contra os EUA, será formado um grupo de trabalho com vários setores do governo para decidir em que áreas o governo brasileiro deve agir. A Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso, permite a retaliação em bens, serviços e propriedade intelectual.
Na entrevista, Lula assegurou que seu principal objetivo é encontrar uma solução negociada para o atrito comercial com os EUA, embora tenha afirmado não haver, no momento, disposição de Washington para negociar.
"Eu não tenho pressa, porque eu quero negociar", disse Lula. "Até agora nós não conseguimos falar com ninguém (dos EUA)... Eles não estão dispostos a negociar. Se o Trump quiser negociar, o Lulinha Paz e Amor está de volta. Eu não quero guerra com os Estados Unidos, eu quero negociar."
Lula disse ainda que um eventual encontro com Trump quando ambos estiverem em Nova York para a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas em setembro dependerá do norte-americano, acrescentando que cabe a Trump mostrar disposição para um diálogo.
ELEIÇÕES 2026
Na entrevista, Lula, que completará 80 anos em outubro, disse que sua candidatura à reeleição no ano que vem dependerá de suas condições de saúde.
"Se eu estiver como estou agora, não tenho dúvida que serei candidato", afirmou.
"É uma eleição difícil e uma eleição que não podemos perder. Se eu for candidato, pode ter certeza que é para ganhar a eleição. Se eu anunciar a minha candidatura, pode ter certeza que é para ganhar a eleição, porque nós não temos condições de devolver esse país ao fascismo que governou nos últimos anos."
O presidente também comentou na entrevista as três operações realizadas por autoridades de segurança pública federais e estaduais na quinta-feira contra o envolvimento do crime organizado no setor de combustíveis e indicou que novas operações deste tipo devem voltar a acontecer.
"O governo começou a agir fortemente no combate ao crime organizado e não tem mais volta", assegurou. "A gente vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado nesse país."
(Reportagem de Eduardo Simões)