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Americanas (AMER3): Leilão indica queda de 90%; Como ação deve se comportar hoje?

Publicado 12.01.2023, 09:49
Atualizado 12.01.2023, 14:22
© Americanas - Divulgação própria
AMER3
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Investing.com - As ações da Americanas (BVMF:AMER3) estão com negociação suspensa até 14h21. O delay acontece após a divulgação de fato relevante da empresa com vídeo de explicações de Sérgio Rial. As ações devem abrir com uma ampla queda, de acordo com dados do leilão da ação na B3 (BVMF:B3SA3). Os papéis chegaram a cair cerca de 90%, a R$ 1,20, durante leilão que se iniciou com a abertura do pregão e a última previsão era de encerramento às 13h40

A aversão ao risco aos papéis da companhia vem após a renúncia de diretores que encontraram inconsistências contábeis em cerca de R$20 bilhões, com os papéis pressionados pela crise de confiança nos indicadores financeiros. Analistas que cobrem as ações passam a indicar que as recomendações vão passar por revisão.

Os papéis de Americanas foram uma das maiores quedas do Ibovespa em 2022, com baixa acumulada de 68,66%.

A crise na varejista interrompe uma recuperação nos papéis, que já subia 24,35% em 2023. Nos últimos 30 dias, o papel acumulava alta de 43,2%.

Sergio Rial e André Covre, que ocupavam os cargos de CEO e CFO, deixaram a empresa somente 10 dias depois de assumirem os postos. Em conferência fechada promovida pelo BTG (BVMF:BPAC11) nesta quinta-feira, Rial disse que o problema nas contas se arrasta por cerca de 7 a 9 anos.

O Conselho nomeou João Guerra, executivo com mais de 30 anos de empresa, para ocupar os cargos de forma interina. Segundo Rial, que falou aos acionistas na manhã de hoje, a companhia deve ter que apresentar balanço do terceiro trimestre novamente ao mercado, pois possui dívida maior do que o esperado. Ainda deve ser avaliado se o montante de refere a dívida ou relativo a fornecedores. Na avaliação e Rial, a companhia deve ter que levantar capital, mas os problemas contábeis não devem afetar a liquidez.

Entenda o caso

A companhia teria débitos com instituições financeiras no mesmo valor que não estavam apontados nas demonstrações financeiras do terceiro trimestre deste ano, indicando que a Americanas pode estar mais alavancada do que foi apresentado aos investidores e ao mercado, o que motivou a saída dos diretores. Após a divulgação, o time de análise do Bradesco BBI apontou a situação como extremamente negativa, diante de uma inconsistência contábil considerável e sem precedentes.

Já os analistas do Citi, que recentemente rebaixou a recomendação dos papéis de Americanas para neutra, afirmam que o grande sentimento negativo será reforçado pela crise de credibilidade e governança. Os analistas destacam a informação de que os acionistas que são referência há cerca de 40 anos disseram ao Conselho de Administração que devem continuar suportando a companhia. Para a equipe do Citi, ainda não é possível avaliar a dimensão da situação e se será necessário realizar medidas como um aumento de capital.

Segundo a Ativa Investimentos, ainda não há muitas informações contábeis sobre o ocorrido e a empresa deve manter o mercado informado sobre novos desdobramentos. Em último relatório do setor de e-commerce, a Ativa rebaixou a classificação das ações para neutra, na expectativa de que a nova gestão pudesse reestruturar as operações da empresa. “Porém, com essa notícia, o impacto é muito negativo para as ações e para a empresa como um todo e estamos aguardando mais informações a serem divulgadas pela companhia”, informa.

A mesma situação ocorre na XP Investimentos (BVMF:XPBR31), que anunciou que a recomendação está sob revisão. De acordo com a XP, comunicado traz diversas incertezas para a tese de investimento na empresa, “além de trazer pouca visibilidade sobre o que de fato aconteceu e quais são os impactos dessas medidas nos demonstrativos financeiros da companhia. Nesse sentido, estamos colocando nossa recomendação em Americanas sob revisão”, aponta a XP.

A XP lembra ainda que a Americanas informou que aos balanços serão analisadas por uma consultoria independente. Na visão da XP, Rial era um pilar importante para sustentar o processo de transformação da companhia, “devido a seu histórico de execução, gestão focada na redução de custos e credibilidade com o mercado. Sua saída pode ser vista pelos investidores como um alerta de mais riscos à frente”, dizem os analistas Danniela Eiger, Gustavo Senday e Thiago Suedt.

Segundo a XP, a crise pode resultar em três pontos de cautela ao investidor: maior alavancagem, tendo em vista que o endividamento pode ser mais elevado; maior custo de dívida, com a percepção de liquidez alterada, além da deterioração do capital de giro, pois a companhia pode enfrentar problemas no pagamento em dia de fornecedores, conforme for a situação do caixa. Além disso, a Americanas pode ter que enfrentar processos judiciais nos Estados Unidos, levando em consideração que possui ADRs negociadas na bolsa americana.

Os próximos passos

Auditorias e investigações devem ser os próximos passos, para entender como a situação ocorreu e quem foram os responsáveis. A Americanas instaurou um comitê independente para apurar as circunstâncias. A auditoria independente da Americanas, a PwC, não mostrou problemas no balanço que foi apresentado aos acionistas e ao mercado em geral. A expectativa é de que os executivos precisem dar explicações, levando em consideração que diretores diminuíram participação na empresa em 40% após agosto. Rial deve atuar como assessor dos acionistas nessa apuração.

Os controladores minoritários, que são fundadores da 3G Capital, são acionistas da Americanas há quatro décadas. A Americanas conta com outros investidores relevantes estrangeiros, como Capital Group, o Teachers Insurance and Annuity Association of America-College Retirement Equities Fund, TIAA e a gestora global de ativos BlackRock (NYSE:BLK).

*Com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo

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