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Por Roberto Samora
SÃO PAULO (Reuters) - A Raízen, maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, anunciou nesta sexta-feira acordo para vender as usinas Rio Brilhante e Passa Tempo por R$1,54 bilhão, em mais um desinvestimento no seu processo para reduzir o endividamento, seguindo agora com 25 unidades ativas.
As usinas, ambas localizadas no município de Rio Brilhante (MS) e com capacidade instalada de aproximadamente 6 milhões de toneladas por safra, foram vendidas para a Cocal Agroindústria, segundo comunicado ao mercado, que via as ações subirem mais de 4% nesta sexta-feira, por volta do meio-dia.
Com o acordo, a Raízen reduziu desde o final do ano passado a capacidade de moagem para aproximadamente 75 milhões de toneladas por safra, volume que representa 12% do processamento efetivo registrado em todo o centro-sul na safra passada.
A capacidade da Raízen agora está próxima da sua moagem efetiva projetada para a safra atual (2025/26).
A Raízen informou mais cedo neste mês que a sua moagem na temporada deverá ficar mais próxima "do ponto médio para baixo" do guidance de 72 milhões a 75 milhões de toneladas, o que seria uma queda em relação ao volume de 2024/25 (78,2 milhões de toneladas), que já havia caído em relação a 2023/24 (84,2 milhões de toneladas).
De novembro do ano passado até agora, considerando a venda das duas usinas em Mato Grosso do Sul, a Raízen reduziu em cinco o número de unidades ativas, incluindo outras duas alienações e uma hibernação da Santa Elisa, ativo que teve sua cana de comercializada em julho.
Ao final do ano passado, a Raízen operava com capacidade de 91 milhões de toneladas, já descontando outras cinco usinas hibernadas, que lhe davam na época uma capacidade de cerca de 100 milhões de toneladas (35 usinas).
Esse gigantismo foi fruto da união dos ativos da Raízen com aqueles incorporados pela aquisição da Biosev, da Louis Dreyfus, em 2021, que trouxe 32 milhões de toneladas de capacidade.
Com o processo de hibernação de usinas, a Raízen aproveitou a matéria-prima das unidades para outras processadoras suas, melhorando a eficiência da operação.
A empresa viu que, em muitas usinas, fazia mais sentido a cana ser processada pelo "vizinho" do que pela própria Raízen, segundo uma fonte com conhecimento do assunto, dentro da estratégia de venda de ativos e para reduzir o endividamento.
A empresa não comentou, em comunicado, se o processo de desinvestimento vai continuar. Mas executivos da companhia disseram anteriormente que a ideia é que a Raízen siga com escala relevante no setor, apesar do processo para reduzir a dívida.
Ao divulgar seu último resultado trimestral, um prejuízo de R$1,8 bilhão, a Raízen informou que sua dívida líquida saltou para R$49,2 bilhões.
A Raízen entende os fundamentos do mercado de açúcar e etanol continuam sólidos, com um aumento da mistura do biocombustível na gasolina de 27% para 30% este ano no Brasil, além da posição brasileira de ter o menor custo de produção do adoçante do mundo.
O acordo anunciado nesta sexta-feira envolve R$1,325 bilhão pelos ativos e cerca de R$218 milhões relativos a investimentos em manutenção de entressafra deste ano, que serão integralmente assumidos pelo comprador, segundo a companhia.
"Essa transação está alinhada à estratégia da companhia de otimização do portfólio de ativos, simplificação das operações e captura de eficiências, com foco na melhoria da rentabilidade de seu portfólio agroindustrial", disse a Raízen.
A conclusão da operação anunciada nesta sexta-feira está sujeita à aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acrescentou a Raízen.
O pagamento será realizado à vista na conclusão da operação, sujeito a eventuais ajustes usuais para negócios desta natureza.
(Por Roberto Samora, com reportagem adicional de Gabriel Araujo)