Uso de sebo para biodiesel no Brasil deve crescer com exportação afetada por tarifas dos EUA

Publicado 26.08.2025, 15:36
Atualizado 26.08.2025, 15:42
© Reuters

Por Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) - O uso de sebo bovino para a produção de biodiesel no Brasil deve aumentar, com o maior consumo local compensando uma provável queda na demanda de importação dos EUA após a imposição de tarifas sobre a carne bovina brasileira e seus subprodutos, disseram fontes do setor.

As exportações brasileiras de sebo bovino aumentaram de janeiro a julho graças à forte demanda dos EUA. Com 290,8 mil toneladas embarcadas no período, o país vendeu quase 91% do total exportado em 2024, informou à Reuters a Scot Consultoria, sediada em Bebedouro.

Os EUA responderam por quase 98% dos embarques, segundo dados da Scot.

Mas agora, uma tarifa de importação de 50% dos EUA sobre determinados produtos brasileiros tornará as vendas de sebo bovino brasileiro "proibitivas" naquele mercado, disse André Nassar, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), em uma entrevista.

No entanto, ele observou que a demanda brasileira pode mitigar parcialmente o impacto da redução das exportações para os EUA, citando as futuras compras de sebo bovino por empresas de biodiesel, inclusive de frigoríficos verticalmente integrados que produzem o combustível, mas não processam internamente a matéria-prima em quantidade suficiente.

A Abiove representa os processadores de soja, que é usada para produzir 75% do biodiesel do Brasil.

As exportações de sebo bovino do Brasil ganharam ritmo após uma queda acentuada nos rebanhos de gado dos EUA, que reduziu a produção local e direcionou a demanda para os fornecedores brasileiros.

Alcides Torres, fundador da Scot, disse que, possivelmente, as exportações aumentaram até julho porque os exportadores aceleraram os embarques antes do aumento das tarifas.

"Mas essas são medidas paliativas", disse ele, observando que a tarifa atual é praticamente "um embargo" às exportações de carne bovina e subprodutos daqui para frente.

Com a aplicação da nova tarifa após 6 de agosto, Torres disse que os exportadores brasileiros poderiam enviar produtos para os países vizinhos, que seriam então reexportados para os EUA, evitando assim as pesadas tarifas.

A estratégia pode expandir a base de compradores internacionais do Brasil e, ao mesmo tempo, ajudar a manter os volumes exportados, disse Torres.

(Reportagem de Ana Mano)

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