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Ações bancárias dos EUA: retornos justificam riscos?

Publicado 03.05.2023, 11:00
Atualizado 09.07.2023, 07:31
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  • As ações bancárias estão registrando desempenho mais baixo do que setores conservadores e o S&P 500 mais amplo.
  • Os bancos geralmente só têm um colchão de cerca de 10% de patrimônio líquido para respaldar seus ativos.
  • Tal alavancagem cria um risco de falência se os bancos não estiverem devidamente protegidos contra oscilações de juros e crédito.
  • Apesar desses riscos amplos, há bons bancos nos quais pode valer a pena investir.
  • Os colapsos recentes do Silicon Valley Bank, Signature Bank e First Republic Bank (NYSE:FRC), em conjunto com o desempenho ruim de outros bancos regionais, mostram que existem riscos que não estão sendo devidamente considerados, quando o assunto é investimento nas ações do setor. E não são apenas os riscos inerentes ao setor bancário que os investidores devem observar na hora de investir. É preciso também levar em consideração a performance histórica relativa desses papéis para fazer uma boa seleção.

    Reserva bancária fracionária

    Todo o dinheiro é criado a partir de empréstimos.

    Leia a frase anterior quantas vezes for necessário. Sua compreensão é fundamental para entender o sistema bancário dos EUA.

    Apesar do que diz a mídia ou os especialistas financeiros, quem realmente cria o dinheiro na economia não é o Fed nem o governo, mas os bancos!

    Sob o sistema de reservas bancárias fracionárias, segundo o qual funciona o sistema financeiro americano, o dinheiro é “criado” através da concessão de crédito. Eis um exemplo simples:

    • Você deposita USD 1000 em um banco.
    • Seu vizinho toma USD 900 emprestados do mesmo banco para comprar uma TV na Costco.
    • O banco mantém os USD 100 restantes como reserva.
    • A Costco deposita os USD 900 em sua conta no mesmo banco.
    • O banco, então, empresta USD 810 dos USD 900 depositados pela Costco.
    • O ciclo continua, à medida que o dinheiro se multiplica, apesar de o caixa concreto no sistema financeiro permanecer em USD 1000.

    Não importa se o seu vizinho irá pagar os USD 900, você e a Costco têm USD 1900 combinados em suas contas. Nesse caso, os USD 900 que o banco criou com o empréstimo para o seu vizinho é o novo dinheiro que surgiu do nada.

    O sistema de reservas bancárias fracionárias funciona bem se não houver uma corrida bancária ou se a inadimplência não atingir níveis muito elevados, provocando uma perda substancial do seu valor.

    Balanço patrimonial dos bancos

    Examinamos o balanço patrimonial agregado de todos os bancos comerciais dos EUA para entender o funcionamento do sistema de reservas bancárias fracionárias e por que os bancos de pequeno e médio porte estão enfrentando dificuldades.

    Balanço e alavancagem de bancos comerciais

    Como mostra o gráfico, os bancos comerciais detêm cerca de US$ 23 trilhões em ativos, contra US$ 20,8 trilhões em passivos. A diferença de US$ 2,2 trilhões é o patrimônio líquido do setor bancário. O sombreamento amarelo representa o índice de alavancagem implícito. Como ele mostra, os bancos detêm coletivamente menos de 10% do patrimônio líquido em relação aos seus ativos. Separamos os ativos e passivos nos gráficos de pizza abaixo, a fim de identificar por que esse elevado nível de alavancagem pode ser problemático.

    Decompondo ativos e passivos

    Os passivos dos bancos comerciais são compostos principalmente por depósitos de pequenas e grandes quantias. O resto dos fundos vem dos mercados de dívida, outros bancos e do Fed em alguns casos.

    Passivos de bancos comerciais

    A diversificação dos ativos bancários é geralmente feita através de diversos tipos de empréstimos e valores mobiliários. Alguns desses ativos, como os títulos do Tesouro americano ou títulos hipotecários (MBS), são bastante líquidos. Por outro lado, alguns dos empréstimos e dívidas imobiliárias carecem de liquidez.

    A liquidez nos permite avaliar a rapidez e o custo com que um banco pode vender todos os ativos, se necessário. Cerca da metade dos ativos coletivos são líquidos e podem ser vendidos rapidamente, com baixo custo. Um bom número de ativos remanescentes pode ser vendido ou securitizado e vendido, mas o processo pode levar um pouco de tempo e gerar custos. Alguns ativos são inteiramente ilíquidos e podem levar algum tempo para serem vendidos.

    Ativos de bancos comerciais

    Quando o valor dos ativos ou passivos de um banco muda, seu patrimônio líquido serve de colchão. Atualmente, os acionistas dos bancos estão questionando se algumas instituições contam com um colchão suficiente na forma de patrimônio líquido. Se as perdas excederem o patrimônio líquido de um banco, ele estará basicamente falido. Como observamos anteriormente, para um banco médio, isso implica uma perda de 10% ou mais de seus ativos.

    Alavancagem é perigosa

    O gráfico abaixo mostra que os depósitos bancários comerciais tiveram uma queda de cerca de US$1 trilhão no último ano. Portanto, os bancos precisam buscar novos depósitos, pegar empréstimos e vender ativos para compensar a perda.

    Depósitos em bancos comerciais

    A fuga de depósitos deu início aos problemas do Silicon Valley Bank e de outras instituições congêneres. Ela também gerou um segundo problema. Muitos bancos precificam os ativos em seu balanço ao valor em que foram adquiridos. Devido à alta dos juros, seu valor atual, na maioria dos casos, está abaixo do que foi pago.

    Muitos bancos precisam de caixa para substituir os depósitos. Dessa forma, eles têm opções. Eles podem obter novos depósitos, o que implica pagar aos clientes mais de 4%, em comparação com quase 0% que atualmente pagam aos depositantes. Ou podem vender ativos. Uma relação de alavancagem coletiva de 10 para 1 significa que é necessário apenas uma perda de 10% nos ativos de um banco para eliminar o colchão representado pelo seu patrimônio líquido.

    Os títulos sem risco do Tesouro dos EUA e as hipotecas perderam cerca de 20% de seu valor em 2022. Como não era factível para o Silicon Valley Bank obter novos depósitos, ele foi obrigado a vender ativos e reconhecer perdas mais significativas do que o colchão representado pelo seu patrimônio líquido.

    Corrida digital aos bancos

    As corridas bancárias são perigosas para um setor altamente alavancado. Essa é a razão pela qual o Fed atuou rapidamente para respaldar os bancos. Além disso, as corridas bancárias são geralmente eventos psicológicos, não necessariamente racionais. Consideramos que, nesse segmento, o First Republic era uma instituição bastante sólida.

    A preocupação com a viabilidade de um banco pode rapidamente se tornar uma bola de neve e levá-lo à falência. Ao contrário das corridas bancárias anteriores, os depositantes agora podem transferir seus recursos de um banco em segundos, em qualquer dia da semana. Em razão da corrida bancária digital, o Silicon Valley Bank entrou em colapso, já que seus clientes retiraram cerca de US$ 42 bilhões, o que corresponde a um quarto dos seus depósitos em poucos dias.

    Ao contrário da crise financeira, os problemas bancários atuais são uma função de taxas de juros mais altas/preços mais baixos dos títulos, e não de perdas de crédito. Devido às regras contábeis falhas criadas durante a crise de 2008, o Fed, os órgãos reguladores bancários e diversos bancos não trataram adequadamente dos preços mais baixos dos títulos decorrentes de uma taxa de juros mais elevada. A cobertura do risco à taxa de juros era cara do ponto de vista contábil e, portanto, não foi totalmente incentivada pela administração de muitos bancos.

    A principal lição a ser aprendida é que as corridas bancárias e a alavancagem são riscos que todos os bancos assumem, assim como seus acionistas. As corridas bancárias nem sempre são racionais.  Tudo indica que a queda dos preços das ações, e não os fundamentos bancários, está levando os depositantes a tirar seus recursos de algumas instituições.

    Desempenho passado

    Investir envolve sempre uma relação de risco-retorno. Quase sempre vale a pena correr algum risco, desde que esteja devidamente precificado. Por isso, com uma compreensão melhor dos riscos bancários, será que vale a pena assumi-los com base no desempenho histórico do setor?

    O gráfico abaixo compara os retornos de preço do índice de ações bancárias KBW com o S&P 500 e os índices conservadores de utilidade público e produtos bancários S&P Utilities (NYSE:XLU) e Staples (NYSE:XLP). Desde 1997, o KBW retornou 40,03%, ou 1,47% ao ano, bem abaixo do mercado e dos setores conservadores mencionados acima. O mais impressionante é que, desde 1997, o rendimento médio de uma nota do Tesouro dos EUA de 2 anos sem risco foi de 4,98%, mais de três vezes o retorno das ações arriscadas de bancos.

    Desempenho das ações bancárias

    Conclusão

    O setor bancário é arriscado e sujeito a corridas racionais e irracionais dos depositantes. Isso não significa que os investidores devam evitar as ações bancárias. Mas quem deseja investir em ações do setor deve avaliar com cuidado se os retornos esperados justificam a alavancagem de um banco, bem como o nível de risco assumido, o hedging e a verdadeira solidez dos depósitos.

    Assim como qualquer negócio, existem bancos bons e ruins. O JPMorgan (NYSE:JPM), por exemplo, já comprovou que é muito bem administrado. Durante a crise financeira, ele se protegeu bem contra as perdas de empréstimos. Essa conscientização de risco e agilidade de hedging permitiu que comprasse ativos de instituições problemáticas a preços ínfimos.  Da mesma forma, o banco está se beneficiando da última crise no setor. A ação do JP Morgan subiu mais de 700% desde 1997. Esse desempenho supera a performance do índice bancário e do S&P 500.

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