Calendário Econômico: PIB do Brasil é destaque com retorno do PCE nos EUA
Uma semana em que como destaque a reunião do Copom na quarta-feira (05). Nos parece previsível que o BCB, na presidência de Gabriel Galípolo, delibere pela manutenção da taxa Selic em 15%. Dúvida, no entanto, é saber quando deve ter início o ciclo de cortes de juro, se em janeiro, antes ou depois.
Se antes, pode ser pela desaceleração da inflação como tendência, e a economia sentindo o tranco da inadimplência, já em patamar recorde. Se depois, se explicando pela situação fiscal mais fragilizada.
A partir da pesquisa Focus, trabalha-se com “lupa”, a partir do comunicado, especialmente, se os diretores devem manter o trecho que pode retomar o ciclo de alta da Selic - que provavelmente deve ser retirado em meio à desinflação e melhora das expectativas em curso, mesmo a passos lentos. Ou seja, se tivermos uma “reancoragem de expectativas”, será possível ter início o ciclo de cortes de juro. Por enquanto, os diretores enxergam a Selic a 12,25% ao fim do ano que vem. Importante será, no entanto, estar atento à ata e aos comunicados que virão depois.
Na Focus, a projeção do IPCA para 2025 e 2026, respectivamente, deve passar de 4,56% para 4,55%, ainda acima do teto do sistema de metas, em 2026, mantido em 4,2%. Acreditamos que o recuo deve continuar a passos lentos para o centro da meta de inflação de 3,0%, já que há 4 semanas estava em 3,9% (para 2027). Enquanto isso, período que o Copom monitora para decidir a taxa Selic, teve mais uma queda, de 3,82% para 3,8% em 2027. Para 2028, também recuou, de 3,54% para 3,50%.
Isso dito, significa que o BCB deve manter uma postura mais cautelosa, não havendo prazo para o ciclo de cortes começar. Sendo assim, acreditamos que o Copom tem início no seu ciclo de cortes entre janeiro e março, nas duas primeiras reuniões do ano, em 0,25 a 0,50 pp dependendo do momento. Continuamos acreditando na Selic fechando a 12,50% ao fim de 2026, mas não vejo espaço para muito mais do que isso, pela piora do cenário fiscal.
Este continua sendo o nó a ser desatado. Em setembro, a dívida bruta federal fechou a 77,6% do PIB, sendo que em janeiro estava em 71,7% do PIB, sendo preocupante a velocidade na trajetória de deterioração fiscal, resultando na elevação das taxas nos títulos públicos mais alongados.
Boa semana a todos!
