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Ouro recua em abril, enquanto dólar, seu rival, tem o melhor mês em 7 anos

Publicado 29.04.2022, 15:20
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Por Barani Krishnan

Investing.com -- A célebre proteção do mundo contra a inflação está mais uma vez enfrentando dificuldades em fazer jus à sua fama, tendo sido usurpado pelo maior rali do seu rival em sete anos.

O ouro encerrou abril com queda de quase 2%, apesar da alta de 1% na sexta-feira, marcando sua segunda perda mensal desde o início de 2022, embora se mantenha acima do nível relativamente bullish de US$ 1.900 por onça.

O declínio do ouro ocorreu na medida em que o índice do dólar, que contrasta a divisa norte-americana com outras seis principais moedas mundiais, subiu 4,6% em abril, sua maior alta desde janeiro de 2015. Dos 20 pregões de negociação em abril, o índice do dólar só caiu em quatro, numa das mais notáveis sequências de vitórias para o greenback.

O rali desproporcional do dólar teve origem na antecipação do regime de juros mais altos que o Federal Reserve deve adotar ao longo do resto de 2022 — e possivelmente 2023 —, já que o objetivo do banco central é conter a inflação dos EUA, que avança em seu ritmo mais rápido em quatro décadas.

"O rali do dólar tem sido implacável e um verdadeiro fardo sobre o metal dourado — o que leva à pergunta, será que algo vai parar o dólar no curto prazo?", perguntou Craig Erlam, analista na plataforma de negociação online OANDA. "Em caso negativo, o que isso significa para o ouro?"

Enquanto o pregão de sexta-feira concluiu as negociações de abril para os mercados, os futuros de ouro de um mês para junho no Comex de Nova York alcançaram US$ 1.911,70 — alta de US$ 20,40, ou 1,1%, no dia. Contudo, no mês, houve uma queda de 1,9%, apesar de registrar um ganho de 4,5% no ano.

No dia 18 de abril, o ouro de junho atingiu um nível de US$ 2.003, seu patamar mais alto em seis semanas, com as preocupações de que os Estados Unidos poderiam entrar em recessão devido às ações agressivas do Fed para controlar a inflação. O ouro normalmente atua como uma proteção face a temores econômicos e políticos.

Entretanto, uma sucessão de falas de dirigentes do Fed acalmaram parte das preocupações do mercado de que a economia poderia entrar num processo negativo a partir das tentativas do banco central de limitar as pressões dos preços, que avançam no ritmo mais rápido em 40 anos.

Embora os receios de um pouso forçado para a economia não tenham evaporado, o otimismo, especialmente em relação ao estelar mercado de trabalho, conquistou alguns pessimistas, o que catapultou o dólar – o maior ganhador da escalada dos juros – em rali, em prejuízo ao do ouro e outros portos seguros.

"Têm sido semanas terríveis para o ouro desde que rompeu acima de US$ 2.000 pela primeira vez em mais de um mês", Erlam observou. "O ouro continuará a ter apelo como porto seguro e proteção contra a inflação, por isso não vejo uma continuação das quedas recentes, ainda que o dólar permaneça forte. Dito isto, não há muito argumento a favor de um mercado bullish para o metal dourado se o dólar continuar em escalada".

No pregão de quinta-feira, o índice do dólar, que compara a moeda dos EUA contra seis grandes divisas globais, atingiu seu maior nível em 25 meses, de 103,945.

Os rendimentos dos títulos dos EUA, que muitas vezes operam lado a lado com o dólar, também subiram em dois dos últimos três pregões, depois de terem se descolado da moeda norte-americana. O rendimento da nota de 10 anos do Tesouro dos EUA avançou quase 24% em abril – seu segundo mês de sucesso após ganhos de quase 29% em março.

Depois de reduzir as taxas de juros para quase zero no auge do surto do coronavírus, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Fed aprovou a sua primeira elevação dos juros da pandemia no dia 16 de março, incrementando as taxas em 25 pontos base, o equivalente a 0,25%. Isso trouxe as principais taxas de empréstimo para entre 0,25% e 0,5%.

Vários membros do FOMC chegaram à conclusão, desde então, que o aumento de março havia sido comedido demais para controlar a disparada da inflação para seus recordes em 40 anos. Eles insistem em “um ou dois” aumentos de 50 pontos-base a curto prazo a fim de conseguir maior controle na luta contra a inflação. As expectativas são de que a reunião do FOMC entre os dias 3 e 4 de maio acate essa primeira alta de 50 bps.

No total, os membros do FOMC estão cogitando até sete aumentos de taxa este ano e esperam que o aperto monetário continue em 2023 se a inflação não recuar para os níveis pretendidos.

Mas os economistas também alertam que a economia poderia entrar em recessão caso os juros subam muito, e rápido demais.

Após uma contração de 3,5% no produto interno bruto (PIB) em 2020, motivado pela crise do coronavírus, a economia norte-americana cresceu 5,7% em 2021, seu maior crescimento num ano-calendário desde 1984.

Porém, a inflação avançou ainda mais rápido, com o indicador de preços preferido da Fed - o índice de despesas de consumo pessoal - aumentando 5,8% no ano passado, sua maior expansão anual desde julho de 1982.

A pressão inflacionária continuou no primeiro trimestre deste ano, com o chamado índice DCP crescendo 6,6% no ano até março, enquanto o PIB caiu 1,4% entre janeiro e março. Se o PIB também se contrair no segundo trimestre, os Estados Unidos entrarão automaticamente em recessão.

A última vez que a economia caiu em recessão — que é definida, em termos técnicos, como dois trimestres consecutivos de crescimento negativo — ocorreu na esteira do surto de Covid-19 de 2020.

A Universidade de Michigan disse, em sua última pesquisa dos consumidores, divulgada na sexta-feira, que muitos americanos acreditavam que o Fed terá dificuldades em sua meta de conduzir um pouso suave para a economia a partir de aumentos agressivos dos juros planejados pelo banco central para conter a inflação descontrolada.

LEIA MAIS: Risco de Recessão Com Alta dos Juros: Fed Pode Fazer um 'Pouso Suave'?

"O objetivo de um pouso suave será mais difícil de se alcançar, dadas as incertezas que prevalecem atualmente, aumentando as perspectivas de uma parada, ou até mesmo uma reversão temporária, nas políticas de juros do Fed," disse Richard Curtain, economista-chefe das pesquisas de consumidores, na sondagem mais recente da universidade, realizada em abril.

"A probabilidade de que os consumidores alcancem um ponto crítico dependerá cada vez mais das perspectivas de um mercado de trabalho forte e de ganhos salariais continuados", afirmou Curtin. "O custo dessa força renovada é uma espiral acelerada de preços e salários".

O mercado de trabalho tem sido o ponto mais brilhante da economia dos EUA nos últimos tempos, com o emprego atingindo recordes históricos após se recuperar das mínimas históricas há apenas dois anos.

O desemprego entre os americanos atingiu um nível recorde de 14,8% em abril de 2020, com a perda de 20 milhões de empregos na sequência do surto do coronavírus. Porém, o emprego foi magnífico ao longo do ano passado, com a taxa de desemprego recuando para 3,6% em março. Uma taxa de desemprego igual ou inferior a 4,0% é definida pelo Federal Reserve como "pleno emprego".

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