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Negociação de venda da Hering à Arezzo envolve questões de negócio e familiares

Ações17.04.2021 12:41
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© Reuters. Negociação de venda da Hering à Arezzo envolve questões de negócio e f

A divulgação de uma negociação entre duas das maiores varejistas movimentou os bastidores do mercado financeiro nessa semana: a Arezzo (SA:ARZZ3), um grupo calçadista que tenta se converter em uma gigante da moda nacional, fez uma proposta de R$ 3 bilhões para comprar a Hering (SA:HGTX3), tradicional rede de moda que hoje tem 778 lojas. Por trás dessas conversas, há fatores de negócio - como a necessidade de a Arezzo se expandir e ganhar musculatura - e também questões mais pessoais, como a suposta pouca disposição da família Hering em tocar seu negócio adiante.

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Conversando com fontes próximas às negociações, o Estadão descobriu que a questão envolve um plano estratégico antigo, de um lado, e a perda de paciência com um negócio que falhou em mostrar recuperação ao longo de vários anos, de outro. A Arezzo traçou há cerca de cinco anos um plano estratégico de ir além dos calçados e virar um "player" de moda: já comprou a Reserva, que tinha Luciano Huck como sócio. E a Hering seria um passo mais ousado - e mais arriscado - para colocar esse objetivo definitivamente em pé.

Além de ter um número muito maior de lojas, a Hering - comandada pelo empresário Fabio Hering, membro da família fundadora da marca - é uma empresa centenária (criada em 1880) e que também tem um considerável parque industrial instalado. Tradicionalmente, a Arezzo sempre trabalhou com produção terceirizada.

Acordo 'ganha-ganha'

O grupo Arezzo - que também inclui marcas como Alexandre Birman, Schutz, Anacapri e Vans - decidiu que está pronto para este salto, apesar das dificuldades que o varejo enfrenta em meio à pandemia de covid-19. A alta cúpula da Arezzo passou os últimos dias em reuniões e deverá formar um grupo de trabalho para tratar sobre a proposta para a Hering, afirmou uma fonte. "A hora de agir, para quem está forte neste momento, é mesmo agora", definiu um banqueiro.

Isso não quer dizer que colocar a tradicional marca de roupas para dentro de casa será um caminho sem obstáculos. A Hering é vista há anos como um negócio em decadência, que precisa de um "face lift" para voltar a ser lembrada com mais frequência pelo consumidor. Como a Arezzo é considerada eficiente no cuidado com suas marcas, a notícia dessa união animou o mercado, que considerou a negociação saudável para ambas as partes.

Na quarta-feira, 14, a Hering revelou ao mercado ter recebido a proposta não solicitada da concorrente. Desde então, a companhia ganhou mais de R$ 1 bilhão em valor de mercado na B3 (SA:B3SA3), a Bolsa paulista, e agora vale R$ 3,8 bilhões. A Arezzo também se valorizou nos últimos dias, ao contrário do que costuma acontecer com empresas prestes a fazer grandes desembolsos. A companhia de moda capitaneada por Alexandre Birman hoje é avaliada em quase R$ 8 bilhões.

Questão de família

Segundo fontes de mercado, tocar um negócio do tamanho da Hering, em tempos de crise, não tem sido fácil. Gente próxima às negociações afirma que o interesse pela marca já não é tão grande dentro da família. Por isso, a aposta da maior parte do mercado é de que o casamento de Arezzo e Hering deverá sair. "É só uma questão de ajustar o preço", define um observador das conversas.

Esta não é a primeira conversa entre Arezzo e Hering, aliás. Mas, segundo fontes ouvidas pelo Estadão, o negócio nunca andou porque Fabio Hering não se mostrava disposto a vender sua participação na empresa. A visão, agora, é de que o posicionamento seria diferente.

Há quem diga que a Arezzo começou jogando duro. Por isso, tudo o que a Hering estaria aguardando é uma nova oferta. A proposta de R$ 3 bilhões pela Hering está abaixo do valor da empresa pré-pandemia, que estava em torno de R$ 5 bilhões.

"A Arezzo começou jogando um preço muito baixo", disse fonte próxima à Hering. "Mas a negociação deve andar." Do lado da Arezzo, comenta uma fonte, a visão é de que a oferta, que considerou um prêmio de 20%, é justa, principalmente porque a aquisição engloba a reestruturação da operação.

A leitura, ainda, é o fato de a Hering ter, desde o princípio, contratado a BR Partners e o Machado Meyer como assessores, deu a indicação de que a intenção é de seguir com a venda, afirmou uma fonte. Fora isso, a própria divulgação da proposta foi entendida como um sinal de que as portas estão abertas para a negociação.

Momento propício

Avaliada em quase R$ 8 bilhões no mercado acionário brasileiro, a Arezzo é o típico caso de empresa "queridinha" do mercado que chegou ao ápice do que era capaz de conseguir dentro de seu mercado original. É por isso, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, a companhia está empreendendo a migração para um mercado maior - nesse caso, o de moda.

"Quando se olha a Reserva, por exemplo, há muito valor agregado, mas a marca ainda é limitada a um determinado público e tem uma segmentação", diz Terra. "Numa lógica estratégica, é natural que se busque uma aquisição para ocupar esse espaço."

E a Hering ocupa exatamente esse espaço, trazendo escala para a operação. "A Hering tem um posicionamento de franquia e de marca que se encaixaria ao modelo da Arezzo", diz.

Assim como o especialista em varejo, o mercado financeiro também acredita que o negócio faz todo o sentido. "A combinação de negócios para Arezzo seria positiva porque aumentaria sua exposição nas marcas de roupas e traria sinergia de custos por conta da forte capacidade de produção e distribuição da companhia, além da experiência dos gestores da Arezzo que significaria uma virada de jogo para a Hering, melhorando a estratégia de vendas online", comenta o analista Regis Chinchila, da Terra Investimentos, em relatório.

Além disso, pode ser uma saída lucrativa para os acionistas da Hering. "A empresa tenta fazer um 'turnaround' há muito tempo e não vem tendo muito sucesso", diz o gerente de pesquisa da corretora Ativa Investimentos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Comentários (10)
Henrique Daros
Henrique Daros 18.04.2021 15:05
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Boa sorte galera 🤣
Marcel Garcia
Marcel Garcia 18.04.2021 10:07
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Ahhhh pegadinha do malandro kkk
Vicente Blanco
Vicente Blanco 18.04.2021 7:35
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Nao temTombo o preço vai subir pois terao que aumentar a oferta, a hering quer ao redor de 30 reais, e arezzo ofereceu 20, antes da pandemia valia 30, masacredito que deve fechar entre 25 a 28 reais mesmo e tera enorme valorizacao posteriormente pois vai redtruturar a hering que deve chegar facil depois da aquisicao nos 35 reais
josé Junior
josé Junior 18.04.2021 7:35
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e se o negócio não se concretizar, a Hering mergulha para os 15
Francisco Matias
Francisco Matias 18.04.2021 7:35
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Ramo difcil. Vestuário vai demorar para se recuperar e muto.
Alexandre Granado
Alexandre Granado 17.04.2021 19:03
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Podem apostar todas as suas fichas que o tombo virá forte! Aguardem...
Henrique Uejima
Henrique Uejima 17.04.2021 17:03
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mas a alta tb ocorreu em outras redes lojistas, tem mais coisa que nao sabemos...
josé Junior
josé Junior 17.04.2021 17:03
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acho que é o mercado querendo pegar uns trouxas na véspera dos resultados.Lren subiu 8% na véspera de apresentar resultado muito ruins, por causa do agravamento da pandemia.
Alessandro Reis
Alessandro Reis 17.04.2021 16:57
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Aguardar o tombo das ações agora com isso, vai devolver tudo
alessandro castilho
alessandro castilho 17.04.2021 15:43
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"Informou uma fonte". A fonte dos desejos?
Valter Nunes
Valter Nunes 17.04.2021 15:22
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Se em cada Shopping tiver uma Mega Loja com todas as Marcas Departamentalizadas fica bem legal. Tipo Macys
Marcio Ferreira
Marcio Ferreira 17.04.2021 14:30
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Verdade Pedro .. tem que agradecer .. pois se dependesse apenas da Hering ... já era.
Pedro Detolvo
Pedro Detolvo 17.04.2021 13:33
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
Valeu Arezzo. Hgtx comprada a 16 e vendida a 24... espero que siga subindo, o que seria amostra de um mercado robusto. Se cair de novo estarei de volta.
 
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