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Ciclo de Aperto Monetário

Publicado 28.10.2021, 08:45
Atualizado 09.07.2023, 07:32

Sem grandes surpresas na decisão do Copom ao elevar a taxa Selic em 1,5 ponto percentual, a 7,75%. Foi uma decisão acertada, diante do “desbalanceamento de riscos” atual, depois do afrouxamento da política fiscal e desrespeito ao teto dos gastos e pela inflação recrudescendo, neste momento próxima de dois dígitos em 12 meses. Aguardemos novos detalhes na ata da próxima terça-feira. Sobre a próxima reunião, em dezembro, tudo leva a crer mais uma puxada de 1,5 p.p. para a Selic fechar o ano em 9,25%.

A leitura do Bacen é que “mesmo com o desempenho fiscal mais positivo, pelas arrecadação recorde, os questionamentos sobre o arcabouço fiscal elevam o risco de desancoragem de expectativas, aumentando a assimetria de riscos”.

Segundo o Bacen, “neste momento, pelo cenário básico e balanço de riscos, indicamos ser mais apropriado o ciclo de aperto monetário avançando ainda mais”. Como acham que na próxima e última reunião do Copom este ajuste deve se repetir, a Selic fechará o ano em 9,25%. Para o primeiro Copom do ano que vem, mais um ajuste de 1,5 ponto percentual é esperado. Importante, no entanto, será monitorar a inflação, cada vez mais próxima de 10% em 12 meses, distante da meta de 2022, entre 3,5% e 4,0%. Isso porque a meta do Copom é o compromisso com a inflação no “horizonte relevante”.

No mundo, nos movimentos dos bancos centrais, observamos um desmonte das operações de compra de ativos e preparativos para o início do ciclo de aperto monetário, via juro de curto prazo. Isso já acontece no Japão, Canadá, Reino Unido e no BCE.

Na semana passada, a Rússia surpreendeu ao elevar a taxa básica em 7,50 pontos básicos, a 7,5% ao ano, um “tremendo choque de juros”, próxima do Brasil, a 7,75%. Na Turquia, observamos também uma política monetária mais agressiva, inclusive, com o presidente Erdogan já tendo mudado a direção do seu banco central.

 

Taxas de juros de Bancos Centrais

 

 

A elevação da taxa Selic a 7,75% teve o claro intuito de contrabalançar o desequilíbrio hoje existente no balanceamento entre demandas do setor público e do setor privado. Quando os gastos do primeiro se torna excessivos, só resta ao Bacen tentar retirar a intensidade dos gastos do segundo, embora a retomada da economia fosse algo desejável.

Isso nos leva também a acreditar de que não há como manter uma Selic no patamar de 2%, num ambiente de tanta instabilidade política e, por consequência, descalabro fiscal. A conta não fecha. Diante deste desbalanceamento de riscos, não resta ao Bacen outra saída a não ser elevar a Selic e manter este ritmo nas próximas reuniões. Lembremos que esta é a maior elevação da Selic numa reunião desde 2003 e se equipara agora, ao ciclo de Michel Temer (7,5%).

 Na análise do impacto desta puxada da Selic no Brasil, são grandes as implicações sobre a atividade, em especial, nas áreas mais sensíveis ao crédito, como bens duráveis, automóveis, não descartando “linha branca”, “marrom”, todos os segmentos do comércio varejista. No campo fiscal, o impacto também deve ser encarado. Neste ano, o custo anual na rolagem da dívida pública já aumentou 1,5% do PIB desde março. Pode chegar a 2,7% do PIB se a taxa Selic for a 12%. É o debate sobre “dominância fiscal” que começa a esquentar.

Na alocação em portfólio, depois deste Copom de quarta-feira, acreditamos na diversificação da carteira de ativos como recomendável. Em renda fixa será bom manter o foco em ativos pós-fixados, atrelados a DI+, além de crédito privado, geridos por boas gestoras, FDIC, também com boas gestoras e DI+. Sobre os ativos reais, devemos buscar fundos imobiliários indexados, que estejam “bem descontados”, atrelados ao DI+, e moedas fortes, como euro e dólar

Sobre a PEC dos precatórios, foi mais uma vez adiada, só devendo ser votada na quarta-feira, depois do feriado. Lembremos que precisa de 308 deputados, sendo duas votações e aprovação em ¾ na Câmara e no Senado. Não será nada fácil, até porque já há uma oposição forte de partidos de esquerda, independentes e muitas dissidências da base do governo (MDB e PSDB votando contra). Na leitura de muitos, dado o tema polêmico, o ideal será haver 450 deputados em plenário.

No Japão, o Banco Central deles, BoJ optou por manter a taxa de juros negativa em 0,10% e a meta de rendimento de 10 anos JGB em torno de 0%, dentro do previsto. No Canadá, o Banco Central do Canadá (BoC) acabou com a política de estímulos monetários e “deixa no ar” a possibilidade de elevar a taxa de juros em breve. Na verdade, o que fez foi mover o Quantitative Easing e sinalizar que deve elevar o juro.

Lembremos (ver gráfico acima), que o Banco Central da Rússia havia elevado a taxa de juros em 7,5 pontos, diante das ameaças inflacionárias. Lá o Bacen tem como meta a inflação de 4% ao ano, mas em outubro, as expectativas inflacionárias das famílias subiram 13,6%, maior patamar em quase um ano, enquanto que a inflação subiu 7,78% até 18/10. Estimativas indicavam a inflação, ao fim deste ano, entre 7,4% e 7,9%. . 

Na China, seguem os debates sobre o “encontrar de saídas para a intervenção do governo nos preços do carvão”. Reuniões entre governo e produtores desta commodity mineral têm sido realizadas. Objetivo aqui é limitar o preço, pelo qual os mineiros vendem o carvão térmico, visando enfrentar uma crise energética, que já gerou racionamentos e até apagões. Como exemplo desta crise, temos as estações de gás racionando combustível diesel, diante da crise de fornecimento.

Neste ano, o governo já estimulou a abertura de várias novas minas de carvão, o que gerou um aumento da produção de 5,7% contra o ano passado (3,84 bilhões de toneladas). Esta busca de saídas para o preço do carvão, acabou por derrubá-lo no contrato futuro mais negociado na bolsa de Zhengzhou. Este recuou 13%, para US$ 161,47 por tonelada. É o menor valor desde 17 de setembro.

Este debate deve ajudar na Europa, onde os estoques seguem pressionados por problemas de mineração na Rússia e na Colômbia, bem como pela demanda pelo combustível da Ásia. Mesmo assim, Putin já disse que depois de preencher seus estoques, deve começar a enviar gás natural para os europeus, ajudando0os a formar seus próprios estoques.

 

Carvão

 

Indicadores

 

Pela PNAD Contínua, IBGE. Taxa de desemprego fechou a 13,2% da PEA em agosto, contra 13,7% em julho, com cerca de 13,7 milhões de desocupados. 

 

Desemprego

 

Há uma evolução favorável dos empregos formais, mas preocupa a perda de renda. Achamos que isso se explica pela alta da inflação, a se manter nos próximos meses, aumento dos informais e ociosidade. Sobre os informais, do total de 3,48 milhões ocupados, 2,387 milhões são informais, 68% do total. É muita gente sem carteira assinada. 

 

Mercados

Os mercados asiáticos operaram em queda nesta quinta-feira.  Já o americano e o europeu em alta. Nos EUA, OBSERVAMOS a elevada “puxada” dos T BONDS curtos, de 2 anos, pela perspectiva de aperto monetário em breve. Os preços do barril de petróleo, do minério de ferro e do gás operavam em fortes quedas.

No Brasil, o Ibovespa fechou QUARTA-FEIRA (dia 27) em leve queda de 0,05%, a 106.363 pontos. Já o dólar encerrou o dia em leve queda de 0,31%, a R$ 5,5553.

Na madrugada do dia 28/10, na Europa (04h05), os mercados futuros operavam sem um rumo definida: DAX (Alemanha) recuando 0,19%, a 15.675 pontos; FTSE 100 (Reino Unido), -0,16%, a 7.241 pontos; CAC 40 +0,10%, a 6.760 pontos, e Euro Stoxx 50 -0,07%, a 4.218 pontos.

Na madrugada do dia 28/10, na Ásia (05h05), os mercados operaram em queda: S&P/ASX (Austrália), -0,25%, a 7.430 pontos; Nikkei (Japão) -0,96%, a 28.820 pontos; KOSPI (Coréia), -0,53%, a 3.009 pontos; Shanghai Composite -1,23%, a 3.518, e Hang Seng, -0,53%, a 25.492 pontos.

No mercado de ativos da China, o bull market ameaça retornar, na tese de que as coisas não podem ficar piores do que já estão. Observemos no gráfico a seguir, um “canal de alta”. Será que ele “consolida” uma recuperação?

 

Ações chinesas

                                                                                                                                                 

No futuro nos EUA, as bolsas de NY, no mercado futuro, operavam em altaneste dia 28/10 (05h05): Dow Jones, +0,16%, 35.447 pontos; S&P 500, +0,19%, a 4.553 pontos, e Nasdaq +0,27%, a 15.641 pontos. No VIX S&P500, 19,23 pontos, recuando 0,62%. No mercado de Treasuries, US 2Y avançando 14,07%, a 0,5601, US 10Y +1,61%, a 1,554 e US 30Y, +0,59%, a 1,953. No DXY, o dólar -0,03%, a 93,773, e risco país, CDS 5 ANOS, a 224,5 pontos. Petróleo WTI, a US$ 81,95 (-0,86%) e Petróleo Brent US$ 83,12 (-0,89%). Gás Natural em recuo de 0,48%, a US$ 6,17 e Minério de Ferro, +2,36%, a US$ 683,50. (Na China, o Minério de ferro recuou forte nesta madrugada, na bolsa de Dalian, recuando as 23h40, 8,4%, 641 yuan).

Na agenda desta quinta (28), destaque para as decisões de Política Monetária no Japão e da Zona do Euro; taxa de Desemprego de Setembro na Alemanha; Variação no Desemprego, também, na Alemanha; IGP-M de Outubro, no Brasil; o IPC de setembro, na Alemanha; PIB do 3º trimestre nos EUA; Pedidos Iniciais Seguro Desemprego nos EUA; Coletiva de Imprensa do BCE; Vendas Pendentes de Moradias nos EUA, e Produção Industrial de setembro, no Japão.

Últimos comentários

Maior taxa de juros reais do mundo, 3a maior taxa de juros nominais do mundo entre as maiores taxas de inflacao, desemprego e mortes do mundo. Bozo é um fenômeno. Mais burro do que a Dilma e mais ladrão do que o Lula
 hahahahahha. Fontes mais confiáveis do que os dados oficiais de cada país? Por favor, 3 paises. O mundo tem quase 200 paises, será que não consegues 3?
Mant Neuman deveria se informar pela Carluxo Magazine ou Jovem Pano pra ser imparcial!
 Mais um militante político fingindo falar de economia. E mais um fixado no Bolsonaro. Jovem Pano, Foice de SP....debate raso. Perda de tempo tentar debater economia por aqui. Parabéns ao articulista Julio pelos dados e informações apresentados. Quanto mais isento for, melhor.
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