Publicado originalmente em inglês em 19/01/2021
Os estoques cada vez menores já fez disparar os preços do milho, da soja e do trigo. Agora, a voraz demanda da China, praticamente à prova de pandemia, está fazendo a indústria temer pela falta de oferta em um mercado que já estava acostumado com a superabundância.
Em uma manhã quente de sexta-feira em Washington, já dois anos, Robert Johansson, economista-chefe do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), falou para cerca de 1500 participantes de um evento da instituição. Suas palavras não eram nada promissoras.
A terceira semana de fevereiro de 2019 acabara de começar, e a relação estoque/consumo da soja nos EUA era de cerca de 23%, muito acima do nível normal de 10%. Johansson afirmou em tom desanimado:
“Voltar ao patamar de 10% levará vários anos”.
Passados 11 meses, no início da terceira semana de janeiro de 2021, a relação estoque/consumo da soja é de 3,1%, o nível mais baixo desde 2,6% de 2013. Em 2020, essa relação foi de 13%.
A relação estoque/consumo do milho era de 11,5%, abaixo da média de 30 anos de 13,8% e ao nível mais baixo desde dezembro de 2012, quando era de 5,8%, quando houve uma restrição histórica.
China compra como se não houvesse amanhã
Parte dessa escassez nos grãos americanos tem a ver com a China que, segundo os analistas, vem comprando grãos como se não houvesse amanhã.
Jack Scoville, diretor de pesquisa agrícola do Price Futures Group, de Chicago, afirmou que a China era responsável pelos números de exportações do USDA na primeira semana de janeiro, quando adquiriu 758.300 toneladas métricas de soja, 88.500 toneladas métricas de milho e 58.400 toneladas métricas de trigo.
O analista afirmou:
“O relatório de exportações mostra que a China foi responsável por praticamente todas as compras. O país continua adquirindo grãos diariamente e apareceu no sistema diário de relatórios do USDA na semana passada”.
Há dois anos, as compras chinesas de grãos americanos ficaram muito aquém do esperado por causa das tarifas impostas pelo governo Trump, que queria forçar um acordo comercial entre os dois países em 2020.
No entanto, as compras chinesas permaneceram na média naquele ano e aceleraram após a vitória presidencial do democrata Joseph Biden em novembro. Somente em novembro, a China adquiriu 6,04 milhões de toneladas de soja americana, uma alta de 136% ante 2,56 milhões de toneladas do ano anterior.
O Wall Street Journal, diário de negócios conservador e favorável a Trump durante seus quatro anos de mandato, disse que as maiores compras de China de grãos americanos antes da posse de Biden coincidiu com o otimismo do mercado com a melhora na relação entre os dois países.
Para ressaltar isso, Sal Gilbertie, presidente da negociadora de grãos Teucrium, disse ao WSJ em uma reportagem publicada na semana passada:
“Há a percepção geral de que o governo Biden será mais amigável do que o governo Trump”.
O jornal disse ainda que os preços dos grãos nos EUA também podem se beneficiar no longo prazo com a melhora na relação bilateral:
“Os acordos do governo Biden com a China podem mudar a perspectiva para as commodities, após as tensões do país com o governo Trump terem gerado oscilações de preço nos últimos anos”.
Disparada dos preços dos grãos nos EUA
Qual é então a perspectiva de curto prazo para a cotação dos grãos nos EUA, considerando que os estoques continuam restritos e a China não para de comprá-los?
No pregão da última sexta-feira, o contrato futuro do milho com entrega em março na Chicago Board of Trade fechou a US$ 5,31 por bushel, uma alta de 9% no ano.
A Perspectiva Técnica Diária do Investing.com para o milho é de “Forte Compra” com base no atual momentum. Os três níveis de resistência de Fibonnaci para o milhão são: US$ 5,35, 5,37 e 5,41.
Para a soja, o contrato de março na CBOT fechou a quase US$ 11,415 na sexta, uma alta de 8% no ano.
A Perspectiva Técnica Diária do Investing.com para a soja é de “Forte Compra”, com a resistência de Fibonnaci em US$ 14,360, 14,480 e 14,600.
No trigo, o contrato com entrega em março na CBOT fechou a US$ 6,75 por bushel na sexta, cravando uma alta de 5% no ano.
A Perspectiva Técnica Diária do Investing.com também é de “Forte Compra” para o trigo, com as resistência de Fibonacci em US$ 6,885, 6,952 e 7,062.
Aviso de isenção: Barani Krishnan utiliza diversas visões além da sua para oferecer aos leitores uma variedade de análises sobre os mercados. O analista não possui posições nos ativos e commodities sobre os quais escreve.