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Publicado 03.04.2024, 05:02
Atualizado 03.04.2024, 08:19
© Reuters.
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Por Peter Nurse e Jessica Bahia Melo

Investing.com – Os principais índices futuros das ações dos Estados Unidos operavam perto da estabilidade antes da abertura das Bolsas em Nova York nesta quarta-feira, 3.

Em Wall Street, a Tesla enfrenta turbulência, devida fracos números do primeiro trimestre. Já a Intel divulgou uma grande perda em sua unidade de fabricação de chips, enquanto, na Ásia, um grande terremoto em Taiwan pode atingir a produção de chips da TSMC. A tendência é que os índices americanos abram com ligeira queda, consolidando-se antes de declarações de autoridades do Federal Reserve (Fed, banco central americano), com destaque para o presidente Jerome Powell.

No Brasil, diante da alta do dólar, Banco Central realiza intervenção com contratos de swap.

1. Futuros americanos se consolidam antes do discurso de Powell

Os futuros das ações dos EUA operavam perto da estabilidade nesta quarta-feira, 3, antes de uma série de manifestações de autoridades do Federal Reserve (Fed, banco central americano), incluindo o presidente Jerome Powell.

Às 7h58 (de Brasília), o contrato Dow futuros estava estável, o S&P 500 futuros recuava 0,12%, e o Nasdaq 100 futuros perdia 0,28%.

Os principais índices registraram uma sessão de perdas na terça-feira, com o Dow Jones Industrial Average caindo quase 400 pontos, ou 1%, o S&P 500 index, de base ampla, caindo 0,7% e o Nasdaq Composite, de alta tecnologia, caindo pouco menos de 1%.

O recente enfraquecimento ocorreu após os dados de inflação instáveis da semana passada, bem como alguns dados econômicos sólidos, que deixaram os investidores preocupados com a possibilidade de o Federal Reserve adiar o corte das taxas de juros para o segundo semestre do ano.

No entanto, é provável que alguma consolidação também fosse necessária depois que o índice de referência S&P 500 registrou seu melhor primeiro trimestre desde 2019.

Há mais dados econômicos para digerir na terça-feira, incluindo o relatório de folhas de pagamento privadas ADP e o índice de serviços ISM, mas os investidores provavelmente concentrarão no que as autoridades monetárias do Fed têm a dizer, com destaque para Powell, que disse, na sexta-feira passada, que os dados mais recentes da inflação dos EUA estão "na linha do que gostaríamos de ver". Os comentários ficaram em grande parte em linha com suas observações após a reunião de política monetária do Fed no mês passado, que fez com que os mercados esperassem um corte nas taxas em junho.

2. Tempos difíceis à frente para a Tesla

A Tesla (NASDAQ:TSLA) divulgou na segunda-feira, 1, um relatório decepcionante sobre a produção e as entregas do primeiro trimestre, provocando uma forte queda nas ações. A empresa revelou que as entregas caíram 8,5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e cerca de 20% em relação ao quarto trimestre. Este é o primeiro declínio anual desde o segundo trimestre de 2020, durante a pandemia. As ações da Tesla caíram cerca de 5% na segunda-feira, continuando a tendência recente que viu as ações da empresa caírem mais de 30% até agora neste ano. Analistas da Wedbush descreveram o primeiro trimestre como "um desastre absoluto que é difícil de explicar".

A Wedbush considera este um momento crucial na história da Tesla para que Elon Musk reverta o desempenho negativo do primeiro trimestre. Caso contrário, dias mais sombrios podem estar à frente, o que poderia prejudicar a narrativa de longo prazo da Tesla.

A Tesla atribuiu o déficit a problemas de produção com o Modelo 3 Highland e em outras áreas, mas analistas da Bernstein argumentam que "a produção não era o problema - a demanda era". Eles acreditam que as entregas provavelmente cairão novamente em relação ao ano anterior no segundo trimestre - e podem potencialmente cair no ano.

Os analistas da Wells Fargo (NYSE:WFC) concordaram, afirmando que "dado o fraco início do primeiro trimestre, continuamos céticos quanto à possibilidade de crescimento das entregas em 2024 (ou 2025)".

3. Terremoto pode atingir a produção da TSMC; Intel divulga um grande prejuízo em sua unidade de fabricação de chips

Taiwan foi atingida por um terremoto de magnitude 7,5 na quarta-feira, o mais forte a atingir a ilha em pelo menos 25 anos, matando quatro pessoas e ferindo outras dezenas.

O desastre natural fez com que a Taiwan Semiconductor Manufacturing (NYSE:TSM) evacuasse algumas áreas da fábrica, o que pode anunciar atrasos na produção da maior fabricante de chips contratada do mundo.

A TSMC fornece a muitas empresas importantes - incluindo Apple (NASDAQ:AAPL), Nvidia (NASDAQ:NVDA) e Qualcomm (NASDAQ:QCOM)- semicondutores para uso em seus produtos e, portanto, pode ser vista como um ponto de estrangulamento na cadeia de suprimentos global.

As ações da TSMC, que detém mais de 60% de participação na fabricação global de chips contratados e o monopólio de microprocessadores avançados, caíram 1,4% no início das negociações.

Embora quaisquer interrupções no fornecimento causadas por esse terremoto possam ser temporárias, elas podem ilustrar a importância da ilha, que a China considera como uma província, para a economia global.

As ações da Intel (NASDAQ:INTC) foram negociadas em forte baixa no pré-mercado, depois que a fabricante de chips divulgou, na terça-feira, perdas operacionais cada vez maiores em seu negócio de fabricação de semicondutores.

A Intel disse que a unidade de fundição teve perdas operacionais de US$ 7 bilhões em 2023 sobre vendas de US$ 18,9 bilhões, uma perda maior do que os US$ 5,2 bilhões em 2022 sobre US$ 27,5 bilhões em vendas.

Esta é a primeira vez que a Intel divulga os totais de receita apenas para seu negócio de fundição. "A Intel Foundry vai impulsionar um crescimento considerável dos lucros da Intel ao longo do tempo. 2024 é o ponto mais baixo para perdas operacionais de fundição", disse o CEO Patrick Gelsinger em uma ligação com investidores na terça-feira, esperando eventualmente atingir o ponto de equilíbrio "no meio do caminho" entre este trimestre e o final de 2030.

4. Petróleo em alta

Os preços do petróleo subiam quarta-feira, com os investidores digerindo os sinais de redução dos estoques dos EUA e mais interrupções potenciais no fornecimento.

Às 7h58, os futuros do petróleo dos EUA eram negociados 0,70% mais altos, a US$ 85,75 por barril, enquanto o contrato do Brent subia 0,71%, para US$ 89,55 por barril.

Dados do Instituto Americano do Petróleo na terça-feira indicaram que os estoques de petróleo bruto dos EUA diminuíram quase 2,3 milhões de barris na semana até 28 de março - mais do que as expectativas de uma redução de 2 milhões de barris.

Embora a leitura venha depois de um aumento desproporcional de 9,3 milhões de barris na semana anterior, essa é também a terceira queda semanal nos estoques nas últimas quatro semanas. Os dados oficiais do site Administração de Informações sobre Energia devem ser divulgados mais tarde nesta sessão.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, um grupo conhecido como OPEP+, realizarão uma reunião on-line de seu Comitê Conjunto de Monitoramento Ministerial no final da sessão, com a expectativa geral de que o grupo de produtores mantenha a produção inalterada.

Os temores de um conflito mais amplo no Oriente Médio - depois que o Irã prometeu retaliação contra Israel pelos ataques ao complexo da embaixada iraniana em Damasco - representaram a possibilidade de mais interrupções no fornecimento nessa região rica em petróleo, ajudando o petróleo a subir para níveis vistos pela última vez no final de outubro.

5. Intervenção no câmbio brasileiro

Em meio à força da moeda americana com taxas dos Treasuries em níveis elevados, o Banco Central realizou a primeira intervenção no câmbio sob o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio da venda, ontem, de todos os 20 mil contratos de swap cambial – 16 mil deles com vencimento em 1º de abril de 2025, além de 4 mil contratos com prazo de 2 de janeiro de 2025. Os contratos foram ofertados em leilão de swap, que funciona como um hedge cambial, injetando no mercado o montante de cerca de US$ 1 bilhão.

O objetivo, de acordo com a autoridade monetária brasileira, é a “manutenção do funcionamento regular do mercado de câmbio". Entre os motivos técnicos, além da piora na percepção de riscos de ingerências em empresas, estaria o impacto do resgate do título do Tesouro Nacional NTN-A3, que deve ocorrer em 15 de abril.

No último pregão do ano, em 28 de dezembro, o dólar estava cotado a R$4,85. Ontem, fechou praticamente estável, a R$5,05, após uma elevação de 3,34% no primeiro trimestre.

Às 7h58 (de Brasília), o ETF EWZ (NYSE:EWZ) recuava 0,06% no pré-mercado.



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