Mercados Globais
A Coreia do Norte e os Estados Unidos estão produzindo um cenário de risco tão elevado como a crise dos mísseis de Cuba, de 1962. Ainda que não seja confirmada e hipótese de que Kim Jong-un tenha capacidade real de lançar armas nucleares, o clima de tensão chegou a um novo e elevado patamar ontem, após Donald Trump reagir às ameaças do presidente coreano, afirmando que os EUA desencadearão na Coreia do Norte uma onda de “fogo e fúria” jamais vistas. Funcionário do governo colocam a possibilidade de um ataque preventivo contra o país.
A Coreia do Norte respondeu com uma ameaça de atacar a ilha de Guam, na qual os EUA mantêm uma base da força aérea. Ao que tudo indica, esse evento pode ser tanto a boia de salvação para Trump, que afunda rapidamente nas suas preferências junto ao eleitorado e ao Congresso, como o evento que pode colocar uma pá de cal em seu relacionamento combalido com as lideranças políticas do país. No primeiro caso ele repetiria a estratégia Bush, de utilizar a guerra como um elemento para elevar sua empatia e gerar um clima de união nacional. No segundo, ele pode romper definitivamente com a tradição de jogar estrategicamente nas relações internacionais com apoio dos principais líderes políticos do Congresso e das lideranças dos setores militares e de inteligência. Ainda não está claro se tais lideranças receberam a iniciativa do presidente como uma atitude sólida e fundamentada ou como mais um arroubo desastrado.
A reação dos mercados, no entanto, já coloca nos preços, ao menos parcialmente, um cenário mais ameaçador. As bolsas saíram do trajeto de alta forte para esfriar em quedas sincronizadas: Kospi (Seul) com -1,10%, Nikkei (Tóquio) com -1,30%, DAX (Frankfurt) com -1,30%, S&P 500 Futuros com -0,5%. Os títulos soberanos estão em forte valorização, fazendo seus rendimentos despencarem, como resultados da corrida para a segurança (flight to quality). Os rendimentos dos título de 10 anos dos EUA caíram para 2,24%, da Alemanha para 0,43% e do Japão para 0,06%. O dólar interrompeu seu ciclo de desvalorização e está sendo negociado a US$ 1,1735 por euro. Veja a tabela com as quedas das principais bolsas globais:
O petróleo interrompeu sua queda e está sendo negociado a US$ 49,50 o barril WTI, à espera dos dados de produção e estoques dos EUA às 11:30 hs. No pré-mercado, o (NYSE:ADR de Vale) estava caindo 1,70%.
Brasil
No Brasil o IBGE divulgou o IPCA de julho em 0,24%, após cair 0,23% em julho. A alta dos preços foi fortemente influenciada pela alta dos combustíveis, por conta do aumento da tributação sobre a gasolina, e da elevação das tarifas de energia elétrica residencial. Em doze meses a inflação ao consumidor acumulou 2,24%. Juntos, energia elétrica e gasolina produziram uma alta no IPCA de 0,31%. Não fossem esses aumentos, portanto, a inflação de julho teria ficado próxima de zero. Como essa alta da energia elétrica, decorrente da estiagem de inverno nas regiões Sudeste e Centro Oeste, deve ser revertida ao longo do ano, seu impacto sobre a inflação é absolutamente transitório e, dada a fraca atividade econômica, não deve ser repassada aos preços. Veja o gráfico da inflação acumulada em doze meses:
Essa inflação em doze meses, ressalta o IBGE, é a menor desde 1999 e reflete a normalização das condições de oferta dos alimentos, da energia elétrica, água e a queda do dólar.
O mercado reage preventivamente ao clima global, com uma ligeira alta do dólar, de 0,5%, dos juros e queda do índice futuro, de 0,7%.